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Veja como votaram os partidos da Câmara para pautarem urgência da anistia

A anistia abre caminho para que investigados e até condenados pelos atos golpistas de 8 de janeiro de 2023 sejam beneficiados.
Voto secreto: Câmara aprova formato de votação que blinda parlamentares (Foto: Edilson Rodrigues/Agência Senado)

A Câmara dos Deputados aprovou, nesta quarta-feira (17), o regime de urgência para o projeto de anistia apresentado pelo deputado Marcelo Crivella (Republicanos-RJ), em votação que obteve 311 votos favoráveis e 163 contrários (leia no detalhe). Com isso, a proposta poderá ser votada diretamente em plenário, sem passar pelas comissões da Casa.

A medida abre caminho para que investigados e até condenados pelos atos golpistas de 8 de janeiro de 2023 sejam beneficiados. A decisão dividiu partidos e reavivou o debate sobre os limites da responsabilização judicial após os ataques às instituições em Brasília.

Base bolsonarista foi decisiva

  • O PL — partido do ex-presidente Jair Bolsonaro votou em bloco a favor da urgência: 85 votos favoráveis, nenhuma dissidência e três ausências.

  • Republicanos e União Brasil também se alinharam majoritariamente ao projeto. O partido de Crivella, por exemplo, teve 40 votos a favor, apenas um contrário e duas ausências. Já o União registrou 49 votos a favor, seis contrários e três ausentes.

  • O Progressistas (PP) repetiu a tendência: 43 favoráveis, seis contrários e uma ausência.

Resistência entre partidos de esquerda

Na ala governista, os partidos de esquerda rejeitaram em peso a proposta.

  • PT, PSOL, PSB, PDT, PCdoB, PV e Rede votaram integralmente contra, sob o argumento de que uma anistia ampla poderia configurar impunidade.

A retórica comum foi a de que os atos não se limitaram a protestos, mas configuraram ataque ao Estado Democrático de Direito.

Presidente da Câmara dos Deputados Hugo Motta (Fotos Júlio Dutra) Anistia
Presidente da Câmara dos Deputados Hugo Motta definirá relator para discutir anistia (Fotos Júlio Dutra)

Centrão rachado e dissidências

  • MDB e PSD, ambos integrantes da base aliada em votações pontuais, demonstraram divisões internas.

  • O MDB teve 21 votos a favor, 14 contrários e cinco ausentes, contrariando a orientação da liderança que recomendava voto contrário. Já o PSD apresentou 28 votos favoráveis, 12 contrários e cinco ausências.
  • Entre partidos de menor bancada, o PSDB/Cidadania registrou 10 votos a favor, dois contrários e uma ausência. O Novo votou de forma unânime a favor do regime de urgência, com cinco votos favoráveis.

Projeto segue direto ao plenário

Com a urgência aprovada, o presidente da Câmara, Hugo Motta (Republicanos-PB), afirmou que indicará um relator para construir um texto de consenso. A proposta poderá ser votada a qualquer momento, sem necessidade de tramitação prévia nas comissões temáticas.

A anistia defendida por Crivella ainda não tem data definida para votação e não está tecnicamente explícito se Jair Bolsonaro seria contemplado.


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Autor

  • Iago Yoshimi Seo

    Jornalista formado em junho de 2025, atuando desde 2023 com foco em reportagens de profundidade, gestão de projetos, fotografia e pesquisa. Autor de obra sobre temas sociais e políticos, com análise crítica da democracia e da sociedade.

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