Quase metade do eleitorado brasileiro se posiciona contra o projeto de lei que altera a dosimetria das penas e pode beneficiar diretamente condenados por envolvimento nos atos golpistas de 8 de janeiro, incluindo o ex-presidente Jair Bolsonaro. É o que aponta a nova pesquisa Quaest, divulgada nesta quarta-feira (17).
Segundo o levantamento, 47% dos entrevistados afirmam ser contrários à proposta já aprovada pela Câmara dos Deputados e atualmente em análise no Senado. O texto permite redução da pena em casos de tentativa de golpe de Estado, o que, segundo simulações apresentadas pela pesquisa, poderia diminuir a condenação de Bolsonaro de 27 para cerca de 20 anos, com tempo de regime fechado passando de seis anos para aproximadamente dois anos e quatro meses.
Entre os que apoiam a mudança legislativa:
- 24% são favoráveis à redução prevista pelo projeto;
- 19% defendem cortes ainda maiores nas punições;
- 10% não souberam ou preferiram não responder.
Percepção pública sobre os efeitos do projeto
A Quaest também investigou a percepção dos eleitores quanto à motivação do projeto:
- 58% dos entrevistados, a proposta foi aprovada para reduzir especificamente a pena de Jair Bolsonaro;
- 30% acreditam que a medida vale para todos os condenados;
- 12% não opinaram.
A sondagem incluiu ainda uma pergunta sobre a concessão de anistia aos envolvidos nos atos antidemocráticos de janeiro de 2023. A maioria (44%) segue contrária à ideia, mesmo com leve oscilação para baixo em relação aos 47% registrados na edição anterior da pesquisa, em outubro.
Por outro lado, 36% se dizem favoráveis à anistia geral, incluindo Bolsonaro, enquanto 10% apoiam o perdão somente para os demais condenados. A variação ocorreu dentro da margem de erro.
