Saulo Lauar, sobrinho do desembargador Magid Nauef Láuar, acusa o tio de abuso sexual. A denúncia foi apresentada ao Conselho Nacional de Justiça (CNJ) na tarde desta terça-feira (24), após a repercussão de um processo relatado por Magid no Tribunal de Justiça de Minas Gerais (TJMG). No caso em questão, o magistrado foi o relator da absolvição de um homem de 35 anos acusado de estuprar uma menina de 12.
Após o depoimento, Saulo informou ao SBT News que forneceu todos os detalhes possíveis às autoridades. Embora não tenha revelado publicamente como ocorreu a tentativa de abuso, afirmou que, mesmo abalado, “não podia mais ficar omisso”.
Em suas redes sociais, ele desabafou sobre estar revivendo uma dor guardada por anos que, apesar do tratamento psicológico contínuo, tornou a se abrir. Saulo enfatizou a necessidade de proteger crianças, falar sobre limites e denunciar abusos para evitar que a dor cresça com o silêncio.
Absolvição baseada em “união familiar”
O réu, que mantinha um relacionamento com a criança de 12 anos, foi absolvido pela 9ª Câmara Criminal do TJMG sob a justificativa de que ambos teriam “formado uma família“. Os magistrados entenderam que houve consentimento da jovem, anuência da família e a constituição de um núcleo familiar estável.
Com essa decisão, a mãe da menina, que respondia por omissão, também foi absolvida. Diante da gravidade e da repercussão do entendimento de que houve “união familiar” em um caso de estupro de vulnerável, a Corregedoria Nacional de Justiça abriu uma investigação para apurar a conduta do tribunal mineiro.