O TikTok baniu a conta usada pelo grupo suspeito de agredir e roubar o engenheiro ambiental e mestrando Marcelo de Oliveira Rocha, de 28 anos. Os suspeitos fizeram uma transmissão ao vivo durante o crime, que terminou na morte da vítima em Santos, no litoral de São Paulo.
Em nota, a plataforma lamentou o caso e manifestou solidariedade à família da vítima. A empresa reforçou que a segurança é prioridade e que adota uma política de “tolerância zero” contra comportamentos violentos e criminosos.
Com isso, a conta do usuário foi removida por violar as Diretrizes da Comunidade, e a plataforma afirmou que colabora com as autoridades nas investigações. (Veja a nota na íntegra mais abaixo.)
Marcelo participava de uma apresentação da Banda Esquerdantina, em apoio à reeleição do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), na madrugada de sábado (24). Ele se afastou do evento para ir ao banheiro e foi abordado e agredido por ao menos sete suspeitos, que registraram o ataque.
⏩Nota oficial: “Lamentamos profundamente o ocorrido com Marcelo e nos solidarizamos com a sua família. A segurança é uma prioridade máxima para o TikTok e mantemos uma postura de tolerância zero contra qualquer forma de comportamento violento e criminoso em nossa plataforma. A conta foi banida por violar nossas Diretrizes de Comunidade e estamos colaborando com as autoridades nas investigações do caso.“
Diretrizes da comunidade
Segundo as Diretrizes da Comunidade do TikTok, não são permitidos conteúdos que promovam discurso de ódio, comportamentos discriminatórios ou ideologias que incentivem a exclusão de pessoas. Entre as principais regras e proibições, estão:
- Ataques discriminatórios: conteúdos que ofendam pessoas com base em características como raça, religião, gênero ou orientação sexual são proibidos.
- Debates respeitosos: discussões sobre temas sociais e políticos são permitidas, desde que conduzidas com respeito.
- Exclusão de grupos: publicações que desvalorizem ou incentivem a exclusão de grupos protegidos podem não ser recomendadas no feed “Para Você”.
- Conteúdos religiosos: a plataforma pode limitar a visibilidade ou remover publicações que menosprezem religiões em regiões onde possam causar prejuízos.
Além disso, a plataforma informou que define ideologias de ódio como sistemas de crenças que excluem, oprimem ou discriminam pessoas com base em características protegidas. Já os grupos protegidos são pessoas ou comunidades que compartilham essas características.
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O crime
Marcelo participava de uma apresentação da Banda Esquerdantina, em apoio à reeleição de Lula, nas proximidades da Avenida Conselheiro Nébias com a Rua Henrique Ablas, no bairro Vila Mathias. Por volta das 3h, ele se afastou do grupo para ir ao banheiro e não voltou.
Estranhando a demora, os amigos foram procurá-lo e o encontraram desacordado na esquina das duas vias, com sinais de espancamento. Um grupo de homens teria agredido o engenheiro e levado seu celular e outros pertences ainda não identificados.
O crime foi registrado pelos próprios agressores em uma transmissão ao vivo no TikTok.
Diante disso, ele foi levado à Santa Casa de Santos, em seguida, transferido para o Hospital São Paulo, da Unifesp. Ele estava em estado grave e em coma induzido. A família confirmou a morte na segunda-feira (26).
Segundo a polícia, alguns suspeitos já foram identificados pela Polícia Civil. Dois deles, de 14 e 17 anos, foram apreendidos. O caso foi registrado pela polícia como latrocínio.

Posicionamento da banda e da universidade
Em nota nas redes sociais, a Banda Esquerdantina lamentou a violência, cobrou rapidez na apuração e a punição dos envolvidos. “Manifestamos nossa solidariedade à vítima e seus familiares, bem como nosso firme repúdio à homofobia”, afirmou o grupo.
Com isso, a associação atlética do campus Baixada Santista da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp), onde Marcelo cursa mestrado em Ecologia Marinha, também se manifestou e expressou “enorme indignação”. Os estudantes cobraram apuração rigorosa e responsabilização dos autores.
Em seguida, a Universidade Federal de São Paulo (Unifesp), emitiu uma nota oficial de repúdio, expressando sua solidariedade a Marcelo, seus familiares, amigos e colegas, com o desejo de sua recuperação.
“A Universidade Federal de São Paulo (Unifesp) manifesta seu profundo repúdio à violência sofrida por Marcelo de Oliveira Rocha, estudante da instituição, brutalmente agredido na madrugada deste sábado (24/10), em Santos, no litoral paulista. Marcelo permanece hospitalizado, e seu estado de saúde é motivo de grande preocupação para toda a comunidade universitária. A Unifesp expressa sua solidariedade a Marcelo, seus familiares, amigos e colegas, com o desejo de sua recuperação. A gravidade do ocorrido exige a apuração rigorosa das circunstâncias e motivações da agressão, bem como a identificação e responsabilização dos envolvidos. Independentemente das motivações que venham a ser esclarecidas, a violência não pode ser naturalizada ou tolerada. O respeito à vida, à integridade das pessoas e ao direito à participação na vida pública constitui fundamento indispensável da convivência democrática.”, informou a nota.

Banda Esquerdantina emite nota oficial sobre o caso. Foto: Reprodução/Banda Esquerdantina




