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Copa do Mundo de 2026 exige vacinação atualizada contra sarampo e gripe

Entenda os riscos epidemiológicos nos países-sedes e saiba como atualizar a sua carteira de vacinação

Os brasileiros que planejam viajar para a Copa do Mundo da FIFA 2026, entre 11 de junho e 19 de julho, devem atualizar a carteira de vacinação imediatamente. O Ministério da Saúde e a Secretaria de Saúde do Estado de São Paulo emitiram alertas devido aos surtos ativos de sarampo nos três países-sedes da competição: Estados Unidos, México e Canadá. A imunização prévia funciona como a principal barreira para proteger os torcedores e evitar que tragam o vírus de volta ao Brasil.

O cenário do sarampo nos países-sedes

Os Estados Unidos, o México e o Canadá concentram atualmente 70% dos casos de sarampo de todas as Américas, segundo dados da Organização Mundial da Saúde (OMS). Em fevereiro de 2026, a Organização Pan-Americana da Saúde (OPAS) já havia emitido um alerta epidemiológico devido à persistência da doença na região.

Os números consolidados mostram a gravidade do cenário atual:

  • México: Registrou 6.428 casos e 24 óbitos em 2025. Até abril de 2026, o país já somava 17.205 casos confirmados e 32 óbitos.
  • Canadá: Fechou 2025 com 5.436 casos e dois óbitos. Até maio de 2026, o país contabilizava 944 novos registros.
  • Estados Unidos: Confirmaram 2.242 casos e três óbitos em 2025. Até maio de 2026, as autoridades americanas apontavam 1.842 casos, sem mortes registradas no ano.

A maior concentração de infectados nas Américas está nas faixas etárias de 10 a 19 anos (24%) e de 20 a 29 anos (19%). Mais de 90% dos pacientes contaminados não possuíam o esquema vacinal adequado ou não tinham histórico de vacinação.

Riscos de importação do vírus para o Brasil

O Brasil mantém o status de país livre da circulação endêmica do sarampo, mas o fluxo de turistas gera riscos reais de importação. Em 2025, o país registrou 38 casos importados ou relacionados à importação, incluindo dois em São Paulo.

Até a Semana Epidemiológica 18 de 2026, o Ministério da Saúde confirmou três casos no território nacional: dois no estado de São Paulo (um importado da Bolívia e outro da Guatemala) e um no Rio de Janeiro, com fonte de infecção desconhecida. As ações rápidas de bloqueio vacinal e vigilância interromperam a transmissão nesses locais.

Como funciona o esquema de vacinação contra o sarampo?

A vacina tríplice viral (SCR), que protege contra sarampo, caxumba e rubéola, está disponível gratuitamente no Sistema Único de Saúde (SUS). As diretrizes variam conforme a idade:

  • Crianças de 6 a 11 meses: Devem receber a chamada “dose zero” em contextos de risco (como viagens internacionais). Essa dose não substitui o calendário regular de rotina.
  • Pessoas de 12 meses a 29 anos: Necessitam de duas doses comprovadas na carteirinha.
  • Adultos de 30 a 59 anos: Devem receber uma dose caso não tenham comprovação de vacinação prévia.
  • Profissionais específicos: Trabalhadores das áreas de saúde, turismo, hotelaria, transporte, alimentação e educação devem manter o esquema vacinal completo.

Atenção: Gestantes, pessoas imunossuprimidas e bebês menores de 6 meses não podem tomar a vacina contra o sarampo, pois ela utiliza o vírus enfraquecido.

A infectologista e professora da Faculdade de Ciências Médicas da Unicamp, Raquel Stucchi, orienta sobre o sumiço de documentos. “Não tem mais a carteirinha, não sabe se fez ou não? O adulto deve dirigir-se até o posto de saúde e fazer a vacina contra o sarampo”, afirma a médica.

Outras vacinas recomendadas para a viagem

A viagem para a Copa envolve grandes aglomerações em estádios e transportes públicos. Por isso, especialistas recomendam atualizar outras vacinas essenciais:

  • Influenza (Gripe) e Covid-19: A Copa ocorrerá durante a transição da primavera para o verão na América do Norte, mas o deslocamento em aviões e locais fechados facilita a transmissão de vírus respiratórios. O SUS oferece a vacina da gripe para todas as idades a partir dos 6 meses.
  • Febre Amarela: Recomendada para quem se desloca de áreas com circulação do vírus no Brasil. Deve ser aplicada pelo menos 15 dias antes da viagem.
  • Tétano e Coqueluche: A vacina dupla adulta (tétano e difteria) está no SUS. A vacina que inclui a proteção contra a coqueluche (tríplice bacteriana acelular) para adultos está disponível apenas na rede privada, sendo ofertada no SUS somente para crianças, gestantes e profissionais de saúde.
  • Vacina Pneumocócica: Indicada para adultos acima de 18 anos com comorbidades (diabetes, problemas cardíacos, renais ou pulmonares) ou idosos acima de 70 anos. Esta versão atualizada está disponível na saúde suplementar.

A diretora do Centro de Vigilância Epidemiológica da Secretaria de Estado da Saúde de São Paulo, Tatiana Lang, reforça o prazo de antecedência. “As pessoas precisam buscar as unidades de saúde pelo menos 30 dias antes do deslocamento, pois o organismo precisa de tempo para gerar os anticorpos de proteção”, explica.

Como emitir o Certificado Internacional de Vacinação?

Para os países que exigem comprovação vacinal, o viajante deve emitir o Certificado Internacional de Vacinação e Proclamação (CIVP) por meio do portal oficial do Governo Federal.

O cidadão recebe a vacina em qualquer unidade básica de saúde e guarda o comprovante físico. Depois, acessa o site, entra na aba correspondente e digita as informações da carteira, como o número do lote, a data de aplicação e o local. A equipe da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) avalia a veracidade dos dados e libera o documento online, que tem validade para a vida toda.

Cuidados com alimentação e sintomas no retorno

Além das vacinas, os profissionais alertam para a “diarreia dos viajantes”, complicação que afeta parte dos turistas devido a infecções alimentares. A recomendação médica inclui consumir apenas água filtrada ou mineral industrializada, evitar gelo de procedência desconhecida e priorizar alimentos cozidos em detrimento de pratos crus.

Caso o viajante apresente febre, manchas avermelhadas pelo corpo (exantema) ou conjuntivite em até 21 dias após o retorno ao Brasil, ele deve evitar o contato com outras pessoas e procurar atendimento médico imediato, informando obrigatoriamente o histórico de viagem aos países da Copa do Mundo.


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Autor

  • Beatriz Biaggioni

    Jornalista formada pela Pontifícia Universidade Católica de Campinas. Comunicativa e curiosa, gosto de ouvir histórias, aprender com as pessoas e transformar isso em comunicação com sentido. Em constante crescimento, com olhar atento e vontade de fazer bem feito.

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