A teledramaturgia brasileira perdeu nesta terça-feira (7) um de seus maiores nomes. Benedito Ruy Barbosa morreu aos 95 anos, em São Paulo, em decorrência de complicações provocadas pela insuficiência renal crônica. A confirmação do falecimento foi feita pelo Hospital do Coração (HCor), onde o escritor e dramaturgo estava em tratamento.
O estado de saúde do autor já inspirava cuidados havia algum tempo. Em janeiro, ele permaneceu internado por 19 dias no Hospital do Coração (HCor) para o tratamento de uma infecção urinária. Durante a internação, também recebeu assistência médica em razão da insuficiência renal crônica.
Reconhecido por criar algumas das novelas mais emblemáticas da televisão brasileira, Benedito deixa um legado que marcou gerações e contribuiu para consolidar a teledramaturgia nacional. Sua trajetória como dramaturgo começou nos palcos, com a peça Fogo Frio, apresentada pelo Teatro de Arena de São Paulo.
A estreia na televisão veio em 1966, quando assinou a novela Somos Todos Irmãos, exibida pela TV Tupi. A produção foi inspirada livremente no romance mediúnico A Vingança do Judeu, da escritora russa Vera Krijanóvscaia, dando início a uma carreira que o transformaria em um dos mais importantes autores de telenovelas do país.
Entre as marcas mais presentes em sua obra estava a representação da vida rural, dos costumes do interior e da cultura dos caboclos. O dramaturgo também explorou a trajetória dos imigrantes no Brasil, especialmente das comunidades portuguesa e italiana, temas retratados em produções como Os Imigrantes, exibida em 1981, Vida Nova, de 1988, Terra Nostra, lançada em 1999, e Esperança, de 2002.
Em 1990, Benedito alcançou um de seus maiores êxitos com Pantanal, novela exibida pela Rede Manchete e que se tornou um marco da televisão brasileira. Até então, o autor havia escrito apenas produções para o horário das seis da TV Globo. Três anos depois, ele voltou à emissora para assinar Renascer, em 1993, obra que representou sua estreia no horário nobre.
Ao longo dos anos, algumas das obras de maior destaque do autor ganharam novas versões para a televisão. Os remakes resgataram histórias marcantes do autor e apresentaram seus enredos a novas gerações.
Entre as novelas que receberam uma segunda adaptação estão:
• Cabocla, em 2004;
• Sinhá Moça, em 2006;
• Paraíso, em 2009;
• Meu Pedacinho de Chão, em 2014;
• Pantanal, em 2022, e Renascer, em 2024, versões assinadas pelo neto Bruno Luperi.