Carnaval combina com bloquinho, fantasia e, para muitos, beijo na boca. Por isso, nesta época do ano, volta o alerta para a chamada “doença do beijo”. Mas calma: o beijo não é o vilão, o problema está no vírus transmitido pela saliva. Entender como ocorre a contaminação é o primeiro passo para se proteger sem abrir mão da diversão.
De acordo com a infectologista Elisabeth Dotti, médica formada pela Uniluz, diversas doenças podem ser transmitidas pela saliva e por gotículas de secreção oral e nasal. Entre elas estão a mononucleose, o citomegalovírus, o herpesvírus e até mesmo uma amidalite, que pode evoluir e trazer complicações.
Mas se engana quem pensa que esses vírus aparecem apenas no Carnaval. “Nesses períodos de aglomeração, como o Carnaval, que tem uma liberdade um pouquinho maior, a circulação aumenta porque a exposição também cresce. Então, com certeza, essas doenças acabam aumentando nessa fase. Mas elas já estão presentes no nosso dia a dia o tempo todo. O que acontece é um pico nesse período”, explica a infectologista Elisabeth Dotti Consolo.
Ou seja, a folia não cria o problema, mas amplia as oportunidades de transmissão, especialmente da mononucleose infecciosa, que é a conhecida como a “doença do beijo”.
O que é mononucleose?
A doença é causada pelo vírus Epstein-Barr (EBV), um herpesvírus humano do tipo 4, altamente prevalente na população. A transmissão ocorre principalmente pela saliva, mas também pode acontecer por compartilhamento de objetos contaminados, como copos, canudos e até mesmo comida. Após a infecção, o vírus se instala no organismo e pode permanecer em estado latente por toda a vida, com possibilidade de reativação.
Sintomas da”Doença do Beijo”
De acordo com a Dra. Carolina Brites, médica formada na Universidade Metropolitana de Santos (UNIMES), os sintomas podem começar de forma semelhante a uma gripe forte, mas costumam ser mais prolongados e intensos. Entre os sinais mais comuns estão febre persistente, aumento dos gânglios cervicais (principalmente na região posterior do pescoço) inapetência, mal-estar e cansaço acentuado.

“As pessoas que têm uma imunidade baixa, realmente o ideal é não se aglomerar, para não ser mais um facilitador para desencadear algumas doenças nessa situação. Então, uma alimentação extremamente saudável, hidratação, não fazer uso de álcool ou drogas, minimiza a questão da imunidade, mas o ideal é realmente não se expor em grandes aglomerados”, completa a infectologista.
Falando em exposição, as especialistas também alertam para o aumento das infecções sexualmente transmissíveis, as ISTs.
ISTs são vilãs
Em períodos de maior contato físico e múltiplas parcerias, cresce o risco de transmissão de doenças como sífilis, gonorreia, HPV e HIV. Assim como na mononucleose, a informação e a prevenção são as principais aliadas.
Já a infectologista Elisabeth Dotti reforça que a maior preocupação neste período são as infecções sexualmente transmissíveis. “Muitas ISTs podem ser assintomáticas no início, mas alguns sinais exigem atenção, como corrimento, dor ou ardência ao urinar, feridas ou verrugas na região íntima, manchas pelo corpo, febre ou ínguas”, completa.
Ao perceber qualquer alteração após relação desprotegida, a orientação é procurar imediatamente uma unidade de saúde para avaliação, testagem e início do tratamento, quando necessário. O diagnóstico precoce reduz complicações, interrompe a cadeia de transmissão e aumenta as chances de cura ou controle da infecção.
