Você confiaria na Moranguete depois de uma traição com o Abacatudo? É nesse clima de drama, reviravolta e exagero que as “novelas das frutas” vêm conquistando espaço nas redes sociais. Inspirada na tendência internacional Fruit Love Island, a versão brasileira aposta em inteligência artificial (IA) para viralizar.
Entre os protagonistas estão frutas falantes que se comportam como “celebridades” digitais. Nas histórias, elas vivem conflitos amorosos, traições e disputas cheias de tensão, em enredos que lembram novelas do horário nobre, mas com estética animada. A mistura de humor e drama tem ajudado a prender a atenção do público.
Grande parte das produções é criada por usuários anônimos ou criadores independentes. Perfis dedicados exclusivamente ao tema acumulam milhões de visualizações com episódios curtos. Já a inteligência artificial é usada na criação de imagens, vozes e roteiros, permitindo uma produção ágil e constante de novos conteúdos.
O sucesso é tamanho que, desde o fim de março, marcas passaram a explorar a tendência em campanhas publicitárias. Empresas como SBT, Burger King e iFood já aderiram ao formato, buscando aproveitar o alcance e o apelo entre o público jovem, o que dá ao fenômeno também um viés comercial.
O que está em debate
Apesar da popularidade nas redes sociais, o fenômeno também tem sido alvo de críticas. Especialistas e usuários apontam que parte dos roteiros reproduz estereótipos problemáticos, com personagens femininas frequentemente retratadas de forma sexualizada ou interesseira.
Outro ponto de preocupação é a ausência de classificação indicativa. Como os vídeos são publicados diretamente nas redes sociais, não há controle sobre o público, o que pode expor crianças e adolescentes a conteúdos com violência ou sexualização.

Diretrizes para menores nas redes sociais
Para criar uma conta no TikTok ou no Instagram, é preciso ter pelo menos 13 anos, conforme as regras das plataformas, e a verificação pode ser feita por documento ou selfie em vídeo. Contas identificadas como pertencentes a menores dessa idade são excluídas de forma definitiva. Já usuários entre 13 e 17 anos têm restrições em conteúdos e interações.
Dados do Relatório de Transparência do primeiro trimestre de 2026 mostram que cerca de 1,2 milhão de conteúdos são removidos por mês por violarem regras relacionadas à proteção infantil. Casos envolvendo bullying, violência ou conteúdo sexualizado com menores têm prioridade. Nesses cenários, o banimento pode ocorrer em até 24 horas.