A cantora, empresária e apresentadora Preta Gil morreu neste domingo (20), aos 50 anos, após mais de três décadas de atuação expressiva na música popular brasileira. Filha do cantor e ex-ministro Gilberto Gil, ela consolidou uma carreira que transitou entre os bastidores da produção fonográfica e os palcos, firmando-se como uma das vozes mais populares e influentes de sua geração.
Iniciou sua trajetória no mercado musical ainda adolescente, aos 16 anos, atuando como produtora. Mas foi somente em 2003 que assumiu o protagonismo artístico com o lançamento do disco Prêt-à-Porter, projeto coletivo que envolvia outros herdeiros da MPB e cuja capa, em que aparecia nua, causou frisson à época. O trabalho revelou seu maior sucesso comercial: Sinais de Fogo, composição de Ana Carolina e Antonio Villeroy, que se tornou o hino dos seus shows até o fim da vida.

De produtora a voz atuante da diversidade cultural
Ao longo da carreira, Preta Gil lançou três álbuns de estúdio e dois discos ao vivo, além de marcar presença em colaborações com artistas de diferentes gerações e gêneros musicais. Em 2012, lançou o álbum Sou Como Sou, cujo destaque foi a faixa Batom, mais uma vez assinada por Ana Carolina, agora em parceria com Diana Tejera e Chiara Civello.
Já em 2017, Decote, uma colaboração com Pabllo Vittar, apresentou uma sonoridade híbrida — samba com batidas eletrônicas — em parceria com Pablo Bispo, Rodrigo Gorky e Yuri Drummond. No mesmo ano, uniu-se à madrinha Gal Costa na música Vá se Benzer, que ganhou um videoclipe com caráter manifesto, criticando abertamente a intolerância e o preconceito.
Defesa de pautas sociais e novos caminhos
Preta Gil também se destacou por sua atuação em pautas sociais. Em 2019, lançou Só o Amor, ao lado de Gloria Groove, para a trilha sonora da novela A Dona do Pedaço. A canção abordava os desafios enfrentados por mulheres transexuais na sociedade brasileira, consolidando o papel da artista como defensora da comunidade LGBTQIA+.
Durante a pandemia, voltou à produção musical em parceria com o filho, Francisco. Da convivência forçada pelas medidas de isolamento, surgiu Meu Xodó (2021), uma composição de afoxé com elementos de funk, que serviu como incentivo ao início da carreira solo do filho.
A cantora e empresária Preta Gil morreu neste domingo (20), aos 50 anos, em decorrência de um câncer colorretal. A informação foi confirmada pela assessoria da artista à revista Quem e ao Uol. A família deve se manifestar publicamente em breve. Diagnosticada com a doença em janeiro de 2023, Preta chegou a entrar em remissão ainda naquele ano, mas o câncer retornou em 2024, com metástases em quatro regiões do corpo.
Desde então, ela enfrentava um tratamento intensivo, incluindo uma cirurgia de 20 horas realizada em dezembro passado para a retirada dos tumores. Procurou, inclusive, uma segunda opinião médica nos Estados Unidos, onde passou por avaliação no Memorial Sloan Kettering Cancer Center, referência global em oncologia. A nova rodada de quimioterapia, no entanto, não apresentou os resultados esperados.