A venda da operação do TikTok nos Estados Unidos (controlada pela unicórnio chinesa ByteDance) deve ser oficializada nesta quinta-feira (22). A transação será concretizada sob forte pressão de Washington e remete a uma pauta iniciada no primeiro mandato de Donald Trump, mantendo-se como tema central em sua atual gestão na Casa Branca. Como estratégia para preservar a estabilidade das relações comerciais, o governo chinês não se opôs ao negócio.
Embora a ByteDance preserve uma fatia de 20%, o controle operacional será transferido para um consórcio que inclui a Oracle e o fundo MGX, dos Emirados Árabes Unidos. A mudança garante que o armazenamento e a gestão dos dados dos usuários americanos fiquem sob a supervisão de empresas aliadas ao governo dos Estados Unidos.
Transação bilionária
De acordo com o vice-presidente estadunidense, Vance, a transação é estimada em US$ 14 bilhões. Com cerca de 170 milhões de usuários, o TikTok é atualmente a quarta maior plataforma em operação nos EUA.
A especialista em regulação e desinformação, Andressa Michelotti, avaliou o cenário: “Há um paradoxo, pois os Estados Unidos, apesar do discurso de neoliberalismo econômico, utilizam a justificativa da segurança nacional para controlar os dados de sua população. Isso afeta o livre mercado e a liberdade de expressão, que já havia sido posta em xeque diante da ameaça de fechamento da plataforma”.
Operação no Brasil não será impactada
Segundo a ByteDance, a reestruturação nos Estados Unidos não alterará os planos e as ações da empresa em outros países. “A nova joint venture é específica para as operações em solo americano e não impacta a experiência no Brasil”, informou a desenvolvedora em nota oficial.
Para Rafael Evangelista, professor da Unicamp e conselheiro do CGI.br, o caso não deve criar precedentes imediatos por aqui. “A venda forçada no mercado norte-americano não deve ser lida como um modelo a ser replicado no Brasil. No momento, isso seria inviável dada a soberania política do país e a realidade do nosso mercado de redes sociais. Contudo, o episódio traz uma lição importante para o debate sobre regulação e governança da internet”, explica o especialista.
Sobre a Oracle
Fundada em 1977, em Santa Clara (Califórnia), pelos engenheiros Larry Ellison, Bob Miner e Ed Oates, a Oracle consolidou-se como uma gigante global de tecnologia. Atualmente, a companhia é a principal referência no gerenciamento de bancos de dados e servidores, atendendo desde corporações multinacionais e instituições de ensino até órgãos governamentais, incluindo o governo dos Estados Unidos.