Enquanto ocorre a COP30 em Belém (PA), o Porto de Santos, principal complexo portuário da América Latina, renuncia a mais de R$ 40,6 milhões em receitas tarifárias desde 2023 para fomentar iniciativas sustentáveis entre navios e terminais que operam na Baixada Santista.
Só neste ano, R$ 16,8 milhões deixaram de ser arrecadados como forma de incentivo à adesão de embarcações e operadores que seguem padrões internacionais de emissões e ruído, além da produção de inventários de emissões de gases de efeito estufa e detalhamento da matriz energética de suas atividades.
O movimento se insere no esforço da Autoridade Portuária de Santos (APS) em atender as diretrizes do Acordo de Paris e da Organização Marítima Internacional (IMO), visando transformar o Porto em referência em logística sustentável.
“Para a APS, não é perda de receita. É investimento”, afirma Anderson Pomini, presidente da empresa. Segundo ele, liderar esse processo garante vantagem competitiva na atração de cadeias globais comprometidas com metas climáticas.

Planos de descarbonização e energia limpa
Em outubro, a APS firmou contrato com a Fundação Valenciaport, da Espanha, para a elaboração de um Plano de Descarbonização e de um Plano Diretor Energético (PDE) com prazo de entrega de 22 meses. O objetivo é estabelecer metas para reduzir as emissões de carbono nas operações do Porto e nos modais ferroviário e rodoviário associados, além de delinear a transição das fontes fósseis para energias renováveis.
Desde 2024, o cais de Santos conta com eletrificação parcial alimentada pela Usina Hidrelétrica de Itatinga, que já abastece cerca de 20 rebocadores. Estudos estão em curso para ampliar essa capacidade e incluir a produção de hidrogênio verde. O plano é tornar a planta capaz de atender parte relevante das operações portuárias, hoje fortemente dependentes de combustíveis fósseis.
A formação de corredores marítimos verdes é uma das metas mais ambiciosas da APS. Com a possibilidade de abastecimento por gás natural e, futuramente, hidrogênio verde, o Porto quer consolidar rotas que permitam a circulação de navios de baixo carbono em toda sua cadeia logística.
Aranha afirma que o inventário serve como instrumento estratégico: “Saber exatamente nossa pegada de carbono permite que cada investimento seja direcionado aonde há maior impacto climático”. Os documentos estão disponíveis no site oficial da empresa.

O que esperar da COP?
Entre críticas e receios — seja em função da localização escolhida pelo governo Lula para realização da COP, quanto pela baixa aderência internacional — fato é que, independentemente da localização, a COP representa a externalização das preocupações humanas quanto às mudanças climáticas.
Conforme dito por Roger Revelle e Hans Suess, “os humanos estão realizando um experimento geofísico de larga escala, de um tipo que não poderia ter acontecido no passado”. Essas preocupações foram materializadas nos dias atuais, e a COP é a arena maior desse debate.
Abrimos um espaço para que as pessoas na linha de frente das crises climáticas e desafios legais pudessem falar sobre suas expectativas acerca da COP30, realizada em Belém. A reportagem do VTV News ouviu especialistas e representantes da sociedade civil da região de Bragança Paulista e Campinas, estes preocupados com as mudanças climáticas e com a preservação da fauna e flora (leia aqui).