O presidente da Autoridade Portuária de Santos (APS), Anderson Pomini, foi o convidado do programa Tudo Pode na última terça-feira (5). Em entrevista conduzida por Marielle Jacon, eles conversaram sobre o papel estratégico dos portos no desenvolvimento econômico do Brasil.
Responsável pelo maior complexo portuário da América Latina, Pomini abordou os desafios e as ações que projetam o Porto para um futuro de expansão, tecnologia e aumento na movimentação de cargas. Além disso, discutiu-se o combate ao crime organizado, área em que a APS atua diariamente na fiscalização de navios atracados.
Para isso, é feita uma checagem minuciosa tanto no interior das embarcações quanto nos cascos; os dados são cruzados por meio de inteligência, permitindo que o sistema detecte padrões irregulares.
“O crime organizado avança sem pudor e é aí que entra a importância de o Estado estar muito organizado também, e seguro para combater e evitar ao máximo o que for possível. O Porto de Santos é referência neste assunto também”, comentou o presidente.

A importância da praticagem
Uma das profissões de maior responsabilidade para o pleno funcionamento dos portos é a de prático, profissional que acompanha a entrada e saída do canal de atuação. Assim, ele é o responsável por atracar e desatracar o navio no porto. De acordo com Pomini, esses profissionais garantem que as cargas cheguem ao destino com total segurança.
“Eles não podem errar. Se o canal para por dois ou três dias por erro de navegação, por exemplo, a China passa a ter dificuldade de alimentar sua população. Vejam o tamanho da responsabilidade desta profissão”, destacou.
Túnel Santos-Guarujá
Entre os diversos projetos implementados na região, o túnel que ligará as cidades de Santos e Guarujá é um dos mais aguardados. A obra é vital não apenas para o setor portuário, mas também para moradores e trabalhadores que dependem da travessia por balsas.
A expectativa é que o tempo de travessia, que hoje ocorre via balsas, diminua de 50 minutos para apenas 5 minutos. Além disso, a obra permitirá uma maior integração entre os nove municípios da Baixada Santista, beneficiando cerca de dois milhões de pessoas de diferentes municípios e diretamente 725 mil moradores de ambas as cidades que ligam o mesmo.
“É uma parceria entre governos, porto e cidade. Trata-se de uma obra infraviária, e não apenas de mobilidade urbana. Para exemplificar o impacto: por dia, chegam 20 mil caminhões ao complexo. Destes, cinco mil retiram cargas na margem direita (Santos) e precisam circular 45 km para armazenar os produtos no Guarujá, emitindo 70 mil toneladas de CO² por ano. Pelo túnel, esse trajeto levará apenas 1min30seg”, explica Pomini.