Os problemas no coração do bebê podem começar a ser identificados ainda durante a gravidez. Alguns exames do pré-natal ajudam os médicos a perceber alterações antes mesmo do nascimento.
Essas alterações são chamadas de cardiopatias congênitas, ou seja, problemas na formação ou no funcionamento do coração que já estão presentes quando a criança nasce.
Segundo dados citados pelo Ministério da Saúde, cerca de 30 mil crianças nascem por ano no Brasil com algum tipo de cardiopatia congênita.
No Dia Mundial do Coração, celebrado em 29 de setembro, especialistas reforçam a importância de acompanhar a gestação e realizar os exames indicados pelo médico.
Problemas no coração do bebê podem ser descobertos no pré-natal?
Sim. Os médicos podem identificar alguns problemas no coração do bebê durante o pré-natal.
Segundo a cardiologista pediátrica Julianne Avelar, do Hospital e Maternidade Sepaco, descobrir a alteração ainda durante a gravidez ajuda a equipe médica a se preparar para o nascimento.
Em casos mais graves, os médicos podem planejar o parto em um hospital com estrutura adequada e organizar o tratamento logo após o bebê nascer.
“O diagnóstico durante a gestação faz uma grande diferença. Saber que um bebê tem uma cardiopatia antes do nascimento permite planejar o parto no local adequado, preparar a equipe e, nos casos mais graves, programar uma intervenção logo após o nascimento”, explica a especialista.
Quais exames ajudam a avaliar o coração do bebê?
A avaliação pode começar nos primeiros meses da gravidez.
Entre 11 e 14 semanas, alguns sinais observados durante os exames podem indicar que o coração do bebê precisa de uma investigação mais detalhada.
O ultrassom morfológico, normalmente realizado entre 20 e 24 semanas, permite avaliar melhor o desenvolvimento do bebê e pode mostrar possíveis alterações.
Outro exame é o ecocardiograma fetal, voltado especificamente para o coração. Ele avalia a estrutura e o funcionamento do órgão.
A gestante pode realizar o exame a partir de 18 a 20 semanas. Segundo a especialista, as imagens costumam ficar mais detalhadas entre 24 e 28 semanas.
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O que acontece quando o problema é descoberto antes do nascimento?
O diagnóstico precoce permite que os médicos organizem os próximos passos antes do parto.
Dependendo do problema identificado, o bebê pode precisar apenas de acompanhamento. Em outros casos, pode ser necessário fazer cirurgia, cateterismo ou iniciar algum tratamento logo após o nascimento.
Saber da condição com antecedência também ajuda a escolher um hospital preparado para receber a criança.
Quais problemas no coração podem afetar o bebê?
Existem vários tipos de cardiopatias congênitas. Algumas são mais simples e podem até melhorar com o crescimento da criança.
Uma delas é a comunicação interventricular, conhecida como CIV. Nesse caso, existe uma abertura entre duas partes do coração chamadas ventrículos.
Quando a abertura é pequena, ela pode fechar sozinha. Quando é maior, a criança pode apresentar cansaço, dificuldade para ganhar peso e alterações no fluxo de sangue para os pulmões.
Outros problemas que podem atingir o coração do bebê incluem:
- Transposição das grandes artérias: as principais artérias do coração ficam em posições trocadas e o bebê geralmente precisa de atendimento nos primeiros dias de vida;
- Atresia pulmonar: dificulta a chegada do sangue aos pulmões e pode exigir medicamentos, cateterismo ou cirurgia;
- Tetralogia de Fallot: reúne quatro alterações no coração e pode diminuir a quantidade de oxigênio no sangue;
- Síndrome da hipoplasia do coração esquerdo: parte do coração não se desenvolve corretamente e o bebê precisa de atendimento especializado desde o nascimento.
Tratamento pode começar logo após o nascimento
O tratamento depende do tipo e da gravidade do problema.
Algumas crianças precisam apenas de consultas e exames periódicos. Outras precisam de cirurgia ou de cuidados intensivos logo nos primeiros dias de vida.
Segundo Julianne Avelar, os avanços na cirurgia cardíaca infantil, na anestesia e nas UTIs especializadas aumentaram as possibilidades de tratamento.
A médica também destaca que a presença da família pode ajudar durante a internação. Uma comunicação clara entre pais e equipe médica reduz a ansiedade e facilita o acompanhamento do tratamento.
Por isso, manter o pré-natal em dia e realizar os exames indicados pode fazer diferença na identificação dos problemas no coração do bebê e no planejamento dos cuidados após o nascimento.
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