Indicação visual de conteúdo ao vivo no site
Indicação visual de conteúdo ao vivo

Uso excessivo de telas podem causar TDAH em crianças? Entenda

Excesso de estímulos digitais pode afetar atenção, sono e comportamento de crianças e adolescentes
Criança usando smartphone na cama, com ilustração de desenhos no lençol, sugerindo discussão sobre uso excessivo de telas e TDAH em crianças.

O uso excessivo de telas não causa TDAH, mas pode provocar sintomas semelhantes aos do transtorno, como falta de atenção, inquietação, impulsividade e irritabilidade. A semelhança pode gerar dúvidas entre pais e responsáveis, principalmente quando celulares, videogames e computadores ocupam boa parte da rotina das crianças.

Segundo o Hospital Pequeno Príncipe, crianças e adolescentes com TDAH também podem ser mais sensíveis aos estímulos oferecidos pelos ambientes digitais. Por isso, observar quando os sintomas começaram e como aparecem em diferentes situações é fundamental para diferenciar os quadros.

Uso excessivo de telas causa TDAH?

Não. O uso excessivo de telas não causa TDAH, mas pode favorecer comportamentos que se parecem com os sintomas do transtorno.

O TDAH tem origem ligada principalmente a fatores genéticos e costuma apresentar sinais desde os primeiros anos de vida. Fatores ambientais e outras condições também podem agravar os sintomas. O neurologista pediátrico Antonio Carlos de Farias, do Hospital Pequeno Príncipe, explica que:

“O uso excessivo de dispositivos digitais pode levar ao surgimento de sintomas como falta de atenção, hiperatividade, inquietação, impulsividade, ansiedade e irritabilidade”.

Na prática, isso significa que uma criança com dificuldade para se concentrar depois de passar muitas horas no celular não necessariamente tem TDAH. Uma avaliação profissional considera o histórico, o desenvolvimento e o comportamento em diferentes ambientes.

Por que as telas podem afetar a atenção?

Vídeos curtos, notificações, jogos e redes sociais oferecem estímulos rápidos e constantes. Segundo o especialista, esse tipo de conteúdo aciona repetidamente mecanismos cerebrais relacionados à motivação e à sensação de recompensa.

O problema pode aparecer quando a criança deixa o ambiente digital e precisa realizar tarefas com menos estímulos, como estudar, ler ou fazer uma atividade escolar. Essas ações podem parecer menos interessantes, aumentando a dispersão e a inquietação.

Com o uso excessivo de telas, também podem surgir impactos no sono, na memória, no aprendizado e na capacidade de lidar com frustrações, de acordo com o Hospital Pequeno Príncipe.

Criança Celular Smartphone Tela tecnologia saúde Kelly Sikkema Unspllash
Foto: Kelly Sikkema / Unspllash

Como diferenciar TDAH de distração causada pelas telas?

No TDAH, os sintomas geralmente aparecem desde a infância e afetam diferentes momentos da vida da criança, como a rotina em casa, na escola e nas atividades de lazer.

Mesmo com a redução do tempo diante dos aparelhos, os sinais podem melhorar, mas não desaparecem completamente.

Já quando a falta de atenção está ligada principalmente ao excesso de tecnologia, mudanças na rotina podem trazer uma melhora significativa em dias ou semanas.

O neurologista destaca ainda que uma redução estruturada do uso de dispositivos durante duas a quatro semanas pode ajudar a observar a relação entre as telas e os sintomas.

Quanto tempo de tela é recomendado para crianças?

A Sociedade Brasileira de Pediatria (SBP) orienta que o limite deve variar de acordo com a idade.

  • Até 2 anos: evitar o uso de telas;
  • De 2 a 5 anos: entre 30 minutos e uma hora por dia, com supervisão;
  • De 6 a 10 anos: de uma a duas horas por dia, no máximo;
  • De 11 a 18 anos: de duas a três horas por dia.

Além do tempo, pais e responsáveis devem observar o conteúdo consumido e os impactos na rotina. As telas não devem prejudicar o sono, os estudos, a prática de atividades físicas ou a convivência familiar.

Como reduzir o uso excessivo de telas?

Mudanças simples na rotina podem ajudar crianças e adolescentes a depender menos dos estímulos do celular e de outros dispositivos. O Hospital Pequeno Príncipe recomenda:

  • Estabelecer momentos sem celular, principalmente durante refeições;
  • Evitar dispositivos entre 60 e 90 minutos antes de dormir;
  • Incentivar leitura, brincadeiras, esportes e outros hobbies;
  • Criar momentos de convivência com familiares e amigos;
  • Deixar aparelhos fora do campo de visão durante os estudos;
  • Incentivar a realização de uma atividade por vez.

Quando procurar ajuda médica?

Pais e responsáveis devem buscar avaliação especializada quando a dificuldade de atenção, a hiperatividade ou a impulsividade persistirem e causarem prejuízos na escola, em casa ou nas relações sociais.

A atenção deve ser ainda maior quando esses comportamentos aparecem desde os primeiros anos de vida e continuam mesmo após mudanças na rotina e redução do uso excessivo de telas.

O diagnóstico do TDAH exige uma avaliação ampla. Por isso, apenas a presença de distração, inquietação ou dificuldade para abandonar o celular não é suficiente para confirmar o transtorno.


Continua após a publicidade

Autor

  • Bruna Santos

    Jornalista e redatora com experiência em produção de conteúdo digital. Atuou em portais de notícia, rádio e agências, escrevendo para áreas como finanças, saúde, direito e bem-estar. Pós-graduada em Comunicação e Marketing, se especializou em produção de conteúdo informativo para sites.

VEJA TAMBÉM

Medição de pressão arterial com estetoscópio e braçadeira, em ação de prevenção e conscientização do setembro vermelho em Limeira para doenças cardiovasculares.

Setembro Vermelho alerta para prevenção de doenças cardiovasculares em Limeira

SUS volta a aplicar doses de reforço da vacina contra a pólio; veja quem deve tomar. Foto: Fabio Rodrigues-Pozzebom / Agência Brasil

Campanha de Multivacinação termina nesta terça (1º) em todo o Brasil

Dia Nacional de Combate ao Fumo: pessoa segurando um cigarro entre os dedos, com fumaça visível, lembrando sinais de alerta na boca, olhos e voz que fumantes não devem ignorar

Dia Nacional de Combate ao Fumo: sinais na boca, olhos e voz que fumantes não devem ignorar

Técnico em laboratório usando luvas azuis e equipamento automatizado para manipular uma amostra em tubo, ao lado de materiais descartáveis e caixas de reagentes de risco.

Laboratórios terão novas regras da Anvisa para controle de qualidade dos produtos

Gostaria de receber as informações da região no seu e-mail?

Preencha seus dados para receber toda sexta-feira de manhã o resumo de notícias.