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Julgamento da privatização da Sabesp é suspenso após pedido de Fux

Ministro Cristiano Zanin foi o único a votar antes da suspensão do julgamento
Fachada da sede da Sabesp em São Paulo representando o processo de privatização da companhia de saneamento.

O julgamento sobre a privatização da Sabesp (Companhia Paulista de Saneamento Básico do Estado de São Paulo), que começou nesta quinta-feira (20), foi interrompido após um pedido de destaque feito pelo ministro Luiz Fux. Com a solicitação, o caso foi transferido para o plenário físico. A análise em plenário virtual tinha previsão para durar até 27 de março.

Voto do Zanin

Relator do caso, o ministro Cristiano Zanin foi o único a votar antes da interrupção. Ele se posicionou a favor da desestatização, mas não analisou o mérito da privatização, negando, por insuficiência de argumentação, o pedido apresentado pelo Partido dos Trabalhadores (PT) para reverter o processo.

Para Zanin, o partido não apresentou argumentos específicos que demonstrassem a inconstitucionalidade de cada artigo da legislação que permitiu a privatização da empresa.

“O Supremo Tribunal Federal tem entendimento consolidado no sentido de que impugnações genéricas e desprovidas de fundamentação concreta não são admissíveis no âmbito do controle concentrado de constitucionalidade”, escreveu o ministro. 

Argumentos do PT

O PT argumenta que a empresa foi vendida por um valor abaixo do mercado e que houve favorecimento ao limitar a participação de acionistas, o que teria beneficiado um único concorrente.

O partido também contesta a participação da ex-diretora da Equatorial Participações e Investimentos, Carla Bertocco, no conselho que deliberou a favor da privatização. À época, a empresa foi a única a apresentar proposta para a posição de investidor de referência.

Decisão anterior do STF

Esses argumentos já haviam sido negados em 2024 pelo então presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), Luís Roberto Barroso. Segundo ele, a abertura de investigação exigiria a apresentação de provas, o que não é possível em uma ação de controle de constitucionalidade.

Barroso também afirmou que a paralisação do processo poderia causar prejuízos de até R$ 20 bilhões ao estado de São Paulo, motivo pelo qual negou o pedido de liminar.

Conclusão da privatização

O processo de privatização da Sabesp foi concluído em 23 de julho de 2024, quando o Governo de São Paulo vendeu 32% das ações da companhia.

Desse total, 15% foram adquiridos pela Equatorial por R$ 6,9 bilhões, ao valor de R$ 67 por ação. Os outros 17% foram vendidos pelo mesmo valor a pessoas físicas, jurídicas e funcionários da empresa, gerando R$ 7,8 bilhões ao governo estadual.

*Com informações de Agência Brasil


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Autor

  • Rayssa de Souza

    Estudante de Jornalismo com previsão de conclusão do curso em 2026. Atualmente, desenvolve iniciação científica na área de comunicação e direitos humanos, com ênfase na violência contra jornalistas brasileiros durante o governo Bolsonaro. Como estagiária no portal, alia o aprendizado acadêmico à prática do jornalismo digital, sempre com olhar atento para temas sociais e de relevância pública.

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