A Organização Mundial da Saúde (OMS) afirmou nesta terça-feira (12), que não há sinais de um “surto maior” de hantavírus relacionado ao navio de cruzeiro MV Hondius, que navegava pelo Oceano Atlântico. Mesmo assim, autoridades seguem monitorando passageiros e tripulantes após o registro de 11 casos e três mortes.
O caso de hantavírus mobilizou governos de mais de 20 países e levou a uma operação internacional de desembarque e repatriação em Tenerife, na Espanha. Durante coletiva de imprensa, o diretor-geral da OMS, Tedros Adhanom Ghebreyesus, reforçou que o risco global continua baixo, mas alertou para a possibilidade de novos casos nas próximas semanas.
O vídeo da coletiva mostra o momento em que Tedros e o primeiro-ministro da Espanha, Pedro Sánchez, detalham a operação internacional e a situação dos passageiros monitorados.
OMS diz que situação segue sob controle
Segundo Tedros, todos os casos suspeitos e confirmados de hantavírus foram isolados e acompanhados sob supervisão médica desde o início da emergência. Ele destacou que não houve novas mortes desde 2 de maio, quando a OMS foi informada sobre o cluster de casos.
“Neste momento, não há indícios de que estejamos presenciando o início de um surto maior”, afirmou o diretor-geral da OMS durante a coletiva.
Ainda de acordo com Tedros, nove dos 11 casos confirmados estão ligados à cepa Andes do hantavírus, conhecida por levantar preocupação devido ao potencial de transmissão entre pessoas em situações específicas.
Apesar disso, a OMS mantém a avaliação de que o risco para a população mundial segue baixo.
Espanha liderou operação de desembarque
Durante a coletiva, o primeiro-ministro espanhol Pedro Sánchez afirmou que a Espanha aceitou receber o navio após um pedido formal da OMS e da União Europeia.
Segundo ele, mais de 120 passageiros de 23 países foram repatriados em 10 voos especiais. Sánchez classificou a operação como “um sucesso” e afirmou que o país agiu por responsabilidade legal e moral.
“O mundo precisa de solidariedade e compaixão”, declarou o líder espanhol.
Tedros também elogiou a atuação da Espanha e disse que os passageiros tinham o direito de serem tratados “com dignidade e humanidade”.
Passageiros seguem monitorados até junho
A recomendação da OMS é que todos os passageiros do cruzeiro sejam acompanhados por 42 dias após a última possível exposição ao vírus, período que vai até 21 de junho.
A entidade recomenda isolar imediatamente qualquer pessoa com sintomas compatíveis com hantavírus e iniciar o atendimento médico o quanto antes.
Tedros também confirmou que equipes de saúde já localizaram alguns passageiros que deixaram o navio antes da identificação oficial do surto e agora acompanham o estado de saúde deles em diferentes países.
O que é o hantavírus?
O hantavírus é uma infecção transmitida principalmente pelo contato com secreções de roedores contaminados, como urina, saliva e fezes secas. A doença pode causar uma síndrome respiratória grave com alta taxa de letalidade.
A transmissão normalmente acontece pela inalação de partículas contaminadas suspensas no ar. Em casos mais raros, mordidas e arranhões de roedores também podem transmitir o vírus.
A cepa Andes, encontrada no surto do MV Hondius, preocupa porque é a única variante já associada à transmissão entre pessoas em contatos próximos e prolongados.
Quais são os sintomas do hantavírus?
De acordo com o CDC (Centro de Controle e Prevenção de Doenças dos EUA), os sintomas iniciais costumam parecer com os de uma gripe comum.
Os principais sinais incluem:
- Febre;
- Dores musculares;
- Fadiga;
- Dor abdominal;
- Náusea;
- Vômito;
- Diarreia.
Dias depois, alguns pacientes podem desenvolver falta de ar e acúmulo de líquido nos pulmões, quadro considerado mais grave.
Ainda não existe vacina ou tratamento específico contra o hantavírus. O atendimento médico costuma focar em suporte respiratório, hidratação e monitoramento intensivo.
A OMS informou que continuará acompanhando a situação junto aos países afetados nas próximas semanas.