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Lesões no futebol: conheça as principais e o tempo médio de recuperação

Casos da Seleção mostram por que cada lesão exige um tempo diferente de recuperação
Jogadores da seleção brasileira comemoram em campo durante partida, com muitos torcedores ao fundo. Foto relacionada a lesões no futebol e tempo de recuperação.

A Copa do Mundo aumenta a tensão dentro e fora de campo. Cada dividida, arrancada ou substituição inesperada vira motivo de preocupação para o torcedor, principalmente quando envolve jogadores importantes da Seleção Brasileira. As lesões no futebol ganharam ainda mais atenção com os casos recentes de Neymar, Raphinha e Lucas Paquetá.

Neymar chegou ao torneio em recuperação de uma lesão grau 2 (considerada uma lesão muscular moderada) na panturrilha direita, quadro confirmado pela CBF antes da Copa. O atacante evoluiu durante a competição e voltou a ser tratado como opção para os jogos seguintes da Seleção.

Raphinha sofreu uma lesão muscular na parte posterior da coxa direita durante a vitória do Brasil sobre o Haiti e passou a seguir tratamento intensivo. Nesta semana, ele ainda trabalhava separado, em processo de transição física.

Lucas Paquetá teve uma lesão muscular confirmada na parte posterior da coxa esquerda após a partida contra o Japão e virou desfalque para as oitavas de final contra a Noruega.

Em uma Copa do Mundo, a ansiedade pelo retorno de um jogador importante é enorme. Mas a liberação para treinar ou jogar passa por critérios médicos e físicos que vão muito além da dor.

Lesões no futebol atingem mais coxa, tornozelo e joelho

No futebol, o corpo trabalha no limite em quase todos os lances. O jogador acelera, freia, muda de direção, salta, chuta e disputa espaço em alta intensidade. Por isso, as regiões mais exigidas costumam ser as mais afetadas.

Em entrevista à VTV News, o ortopedista e traumatologista Dr. Leonardo Addêo Ramos, do Hospital Nipo-Brasileiro, explica que o problema aparece com mais frequência nos membros inferiores.

“As lesões mais comuns no futebol acontecem principalmente nos membros inferiores. As regiões mais afetadas são a coxa, o tornozelo e o joelho. Entre os diagnósticos mais frequentes estão as distensões musculares, especialmente dos músculos posteriores da coxa (hamstrings), as entorses de tornozelo e as lesões ligamentares do joelho.”

As lesões musculares na coxa chamam atenção porque aparecem em movimentos comuns do jogo, como sprints e mudanças rápidas de ritmo. É o tipo de situação que pode tirar um atleta de campo mesmo sem contato com outro jogador.

Neymar treinando no campo, com a bola sendo chutada durante o aquecimento; imagem relacionada a lesões no futebol e recuperação.
Foto: Rafael Ribeiro /CBF

O que muda entre uma lesão leve, moderada e grave?

O tempo de recuperação não depende apenas do nome da lesão. Uma distensão muscular, por exemplo, pode afastar um jogador por poucos dias ou por várias semanas, conforme a extensão do dano.

O grau da lesão indica quanto o músculo foi afetado. Em geral, a classificação funciona assim:

  • Lesão leve: causa dor localizada, mas o atleta ainda preserva boa parte da força e do movimento;
  • Lesão moderada: envolve ruptura parcial das fibras musculares, com mais dor, perda de força e limitação;
  • Lesão grave: tem rompimento maior do músculo e pode comprometer bastante a função do atleta.

Essa diferença ajuda a explicar por que alguns jogadores voltam rapidamente aos treinos, enquanto outros precisam de semanas de recuperação. Segundo o Dr. Leonardo, a intensidade dos sintomas e a perda de função são pontos importantes nessa avaliação.

“Nas lesões leves, há dor localizada, pequeno edema e pouca ou nenhuma perda de força. O atleta pode sentir desconforto ao correr, chutar ou acelerar, mas geralmente mantém boa parte da função muscular. Nesses casos, a recuperação costuma ser mais rápida.” explica o ortopedista.

Na prática, o prazo também muda conforme o músculo atingido, a região da lesão, o histórico do atleta e a resposta ao tratamento. Lesões próximas ao tendão costumam exigir mais cautela.

Por que alguns jogadores demoram mais para voltar?

O torcedor costuma olhar apenas para a dor. Se o jogador já corre, treina com bola ou aparece nas imagens da atividade, parece pronto para atuar. Mas o retorno seguro envolve mais etapas.

Antes de liberar um atleta, a equipe médica avalia força, mobilidade, equilíbrio, velocidade, resistência e movimentos específicos do futebol. O jogador precisa provar que consegue acelerar, frear, chutar e mudar de direção sem compensações.

“Em casos de grandes atletas, como Neymar, Raphinha ou Lucas Paquetá, a decisão de liberar o retorno aos treinos e aos jogos não depende apenas de um exame de imagem ou do desaparecimento da dor.” diz Dr. Leonardo.

Esse cuidado explica por que dois atletas com lesões parecidas podem ter prazos diferentes. O calendário, a posição em campo, o histórico de contusões e o risco de reincidência pesam na decisão.

Jogadores de futebol em campo durante partida amistosa, simbolizando a preparação e o bom desempenho das seleções de Marrocos, Escócia e Haiti, adversárias do Brasil na Copa do Mundo de 2026.
Foto: Reprodução / Rafael Ribeiro / CBF

Voltar antes da hora pode piorar a lesão

A pressa para jogar uma Copa do Mundo é natural. O problema é que o corpo nem sempre acompanha a urgência da competição.

Quando o atleta retorna antes de recuperar força e controle de movimento, o risco de uma nova lesão aumenta. Em alguns casos, a segunda contusão pode ser mais grave que a primeira e exigir um afastamento ainda maior.

“Voltar cedo demais aumenta o risco de uma nova lesão, muitas vezes mais séria que a primeira. Por isso, o atleta não deve retornar apenas porque a dor desapareceu.” afirma o médico.

Por isso, clubes e seleções usam cada vez mais critérios físicos e funcionais, e não apenas o número de dias desde a lesão. O objetivo não é só colocar o jogador em campo, mas garantir que ele consiga competir sem aumentar o risco de voltar ao departamento médico.

Como prevenir lesões no futebol?

Nem toda lesão pode ser evitada, principalmente em um esporte com contato e alta intensidade. Ainda assim, parte dos riscos pode ser reduzida com preparação adequada.

Fortalecimento muscular, aquecimento estruturado, controle da carga de treino, descanso e reabilitação bem conduzida ajudam a proteger o atleta. O equilíbrio entre esforço e recuperação é essencial, especialmente em torneios curtos e decisivos.

Na Copa, cada detalhe pesa. Para a Seleção, recuperar Neymar, acompanhar Raphinha e lidar com a ausência de Paquetá não é apenas uma questão de escalação. Também é uma decisão médica, física e estratégica.


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Autor

  • Bruna Santos

    Jornalista e redatora com experiência em produção de conteúdo digital. Atuou em portais de notícia, rádio e agências, escrevendo para áreas como finanças, saúde, direito e bem-estar. Pós-graduada em Comunicação e Marketing, se especializou em produção de conteúdo informativo para sites.

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