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Comentários sobre necrofilia após morte de jovem no rope jump causam revolta

Parlamentares acionam PF e MPF após publicações consideradas ofensivas e de apologia à violência sexual
Maria Eduarda Rodrigues de Freitas, jovem de 21 anos que morreu após queda em salto de rope jump na Ponte do Esqueleto, em Limeira.

Comentários de cunho sexual como “Infelizmente era linda. Se fosse mulher feia seria menos triste, na verdade engraçadíssimo, mas enfim, tragédia” e “Essa mina que faleceu? Vou fazer concurso no IML”, publicados em vários perfis do X (antigo Twitter) geraram reação das deputadas federais Erika Hilton (PSOL-SP) e Tabata Amaral (PSB-SP).

Elas pediram investigação sobre publicações de teor sexual com insinuações de estupro e necrofilia envolvendo o corpo de Maria Eduarda Rodrigues, de 21 anos. A jovem morreu durante a prática de rope jump em Limeira, no último sábado (13).

Erika Hilton pediu a instauração de procedimento investigatório para apurar eventual prática dos crimes previstos nos artigos 212 e 287 do Código Penal, além da realização de diligências para identificar os responsáveis pelos perfis citados, incluindo a requisição de dados cadastrais e registros de conexão eventualmente mantidos pela plataforma X ou por terceiros.

O documento apresenta uma lista de perfis e publicações que, segundo a deputada, devem ser alvo de apuração. Ela sustenta que as condutas podem se enquadrar no crime previsto no artigo 287 do Código Penal, por supostamente incentivarem, exaltarem, naturalizarem e difundirem a violência sexual.

São comentários que não apenas ultrajam a memória da vítima, mas que expressamente incentivam, celebram ou tratam com humor e aprovação a prática de violência sexual contra seu cadáver, mediante referências à necrofilia e ao estupro da vítima falecida”.
Erika Hilton

A deputada do PSOL também pede que, caso sejam constatadas a materialidade e indícios suficientes de autoria, sejam adotadas as providências cabíveis para responsabilização criminal dos envolvidos.

No ofício, Erika Hilton afirma ainda que as publicações contribuem para a banalização da violência sexual e para a disseminação de discursos misóginos nas redes sociais.

Foi solicitada ainda a apuração de possível crime de desrespeito ao corpo da pessoa falecida, uma vez que as publicações indicam ofensa, desprezo e desvalorização da memória e da dignidade da pessoa morta.

Tabata Amaral também apresentou representação ao Ministério Público Federal para investigar esse tipo de conduta. Segundo a parlamentar, “nem mesmo após a morte as mulheres teriam paz”.

Veja os comentários

Projeto de lei

O presidente da Câmara dos Deputados, Hugo Motta (Republicanos-PB), afirmou que projeto de lei deve ser votado ainda nesta semana equiparar a discriminação e o ódio contra mulheres ao crime de racismo. O anúncio foi feito nas redes sociais na última terça-feira (15). O texto está sob relatoria de Tabata Amaral.

A proposta busca combater esse tipo de discurso de ódio no ambiente digital e prevê punições a contas e perfis usados na prática desses crimes com dois a cinco anos de prisão para casos de injúria motivada pelo fato de a vítima ser mulher

Na Câmara dos Deputados, a última movimentação sobre o tema ocorreu quando a deputada Sâmia Bomfim (PSOL-SP) apresentou requerimento para incluir a proposta na Ordem do Dia, em 8 de abril.

O que aconteceu

Maria Eduarda Rodrigues de Freitas, de 21 anos, morreu na manhã do último sábado (13) após ser lançada de uma altura de 40 metros sem o equipamento de segurança durante um salto de rope jump. A tragédia ocorreu na Ponte do Esqueleto, localizada na divisa entre Limeira e Cordeirópolis, no interior de São Paulo.

O momento da queda foi registrado em vídeo por testemunhas que flagraram o momento em que a jovem foi empurrada da plataforma sem que a corda estivesse conectada ao corpo dela. Veja vídeo (imagens fortes):

Maria Eduarda era natural de Jandira (SP). Com formação em educação física e gestão esportiva, e costumava compartilhar nas redes sociais sua paixão por atividades ao ar livre e pela natureza.

Horas antes de morrer, ela publicou fotos mostrando o local do salto, as pulseiras de identificação e brincou com a situação. Em uma das postagens, escreveu: “Quem foi o doido que deixou eu vir pular de uma ponte???”.

O que se sabe até agora

  • Três homens de 42, 32 e 27 anos estão presos e serão investigados por homicídio com dolo eventual após a morte da jovem Maria Eduarda Rodrigues de Freitas.
  • As identidades dos suspeitos não foram divulgadas, mas a polícia informou que eles atuavam na atividade. Um era bombeiro civil e os outros ajudavam nos preparativos para os saltos. Inicialmente, seis haviam sido detidos, mas três foram liberados.
  • Câmera corporal que estava com Maria Eduarda Rodrigues no momento do salto ainda não foi encontrada. O equipamento é fundamental para ajudar nas investigações.
  • Durante os depoimentos, os investigados não conseguiram explicar por que a corda de segurança ficou desconectada. Segundo a delegada responsável pelo caso, eles demonstraram abalo emocional ao prestar esclarecimentos.
  • Imagens gravadas por testemunhas e compartilhadas nas redes sociais mostram que a jovem carregava a câmera presa ao corpo quando os instrutores a lançaram da plataforma instalada na Ponte do Esqueleto. No entanto, as equipes de resgate não encontraram o dispositivo no local.
  • A Prefeitura de Limeira informou que vai processar o Governo Federal por omissão na Ponte do Esqueleto, de onde a jovem saltou. Segundo a administração municipal, a esfera seria responsável por pela fiscalização, manutenção e controle de acesso do local.

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Autor

  • Cristiane Campari

    Jornalista formada pela Pontifícia Universidade Católica de Campinas, com atuação destacada como trainee no Estadão, onde participou da 2ª edição do Focas Saúde. Também integrou a equipe da TV Câmara Campinas, contribuindo na cobertura institucional e na produção de conteúdo. Experiência na Secretaria de Comunicação da Prefeitura de Campinas e no Consórcio PCJ.

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