O sonho brasileiro do hexa acabou da pior forma possível: com uma atuação apática, sem reação e completamente dominada pela Noruega. O placar apenas confirmou o que ficou evidente durante os 90 minutos. A seleção brasileira foi espectadora do próprio fracasso.
A estatística da posse de bola – entre 30% e 35% durante boa parte da partida – resume o cenário. Um Brasil acuado, lento, previsível e incapaz de impor seu jogo. Do outro lado, uma Noruega organizada e segura, comandando as ações sem qualquer sinal de pressão.
Enquanto isso, Erling Haaland parecia assistir ao jogo com tranquilidade. Impassível, distribuía seu característico sorriso irônico e conduzia a partida sem aparentar qualquer preocupação.
A sensação era clara: o Brasil já não intimida como antes.
Outro episódio que merece explicação aconteceu na cobrança do primeiro pênalti.
Por que Bruno Guimarães assumiu a responsabilidade?
Se Vinícius Júnior é o principal jogador da equipe e sua maior referência técnica, por que não bateu?
De cara eu me perguntei: “Foi uma decisão da comissão técnica ou o próprio atacante abriu mão?”
Era uma resposta que a seleção precisava dar. Afinal, é difícil imaginar jogadores como Lionel Messi ou Cristiano Ronaldo abrindo mão da responsabilidade em um momento decisivo.
Em coletiva, o técnico Carlo Ancelotti disse que a escolha obedeceu a um ranking bastante questionável e incompreensível. Ninguém entendeu.
Fato é que a eliminação, por si só, não chega a surpreender. Talvez esta tenha sido uma das Copas em que o torcedor brasileiro entrou com menos confiança. Ainda assim, ninguém esperava uma despedida tão precoce e, principalmente, tão passiva.
Faltou intensidade, personalidade e inconformismo.
E, quando parecia que nada poderia piorar, veio a participação de Neymar.
Entrou no segundo tempo, envolveu-se em confusões desnecessárias e, já com o Brasil perdendo por 2 a 0 e após o pênalti desperdiçado, converteu a segunda cobrança para diminuir a vantagem.
Em vez de recolher rapidamente a bola e tentar uma reação, preferiu provocar o goleiro adversário. Um gesto que simbolizou o momento da seleção: mais preocupação com a provocação do que com o resultado.
O retrato final é preocupante. Um time lento, sem agressividade, incapaz de controlar o jogo e distante da tradição que fez do Brasil a maior potência do futebol mundial.
Contra adversários mais fortes, como Argentina, França e até o eliminado Cabo Verde, uma atuação desse nível dificilmente permitiria qualquer esperança.
A verdade é dura, mas precisa ser dita: a Noruega mandou na partida do início ao fim. E o mais preocupante não é apenas a eliminação. É perceber que a Seleção Brasileira deixou de provocar medo nos adversários.
Hoje, quem entra em campo sem confiança é justamente o Brasil. E para Neymar, o que sobrou foi uma despedida insossa e o anúncio da aposentadoria da seleção brasileira em uma noite que a gente só quer esquecer.