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Burnout no Brasil: varejo, educação e marketing lideram ranking de risco

Relatório aponta os setores com maior risco de burnout no país
Homem em escritório com expressão de cansaço e estresse, segurando o rosto e olhando para o computador, enquanto uma xícara de café está na mesa; imagem sobre Burnout no Brasil em contexto de trabalho no varejo, educação e marketing.

O burnout no Brasil acende um alerta para empresas e trabalhadores. Um relatório da Gupy sobre riscos psicossociais aponta que varejo e atacado, educação e marketing estão entre os setores com maior percentual de respostas em faixa crítica para exaustão.

O levantamento analisou dados de pesquisas de engajamento feitas entre maio de 2025 e fevereiro de 2026. O recorte não representa a prevalência oficial de burnout no país, mas mostra onde os sinais de risco aparecem com mais força na base analisada.

Burnout no Brasil cresce em meio à pressão no trabalho

O avanço da discussão sobre saúde mental ganhou força com o aumento dos afastamentos por transtornos mentais. Segundo o relatório, os benefícios concedidos por esses diagnósticos passaram de pouco mais de 200 mil, em 2021, para mais de 540 mil em 2025.

Desde 2019, a Organização Mundial da Saúde descreve o burnout como uma síndrome ligada ao estresse crônico no trabalho.

Na prática, o tema deixou de ser visto apenas como um problema individual. O relatório destaca que fatores como excesso de demandas, prazos apertados, jornadas longas, baixa autonomia e pouco apoio das lideranças aumentam o risco de adoecimento.

Quais são os sintomas do burnout?

Os principais sintomas do burnout envolvem esgotamento extremo, distanciamento mental do trabalho e queda na eficácia profissional.

Na rotina, isso pode aparecer como cansaço constante, irritação, dificuldade de concentração, perda de motivação e sensação de não conseguir entregar como antes.

Por estar ligado ao contexto profissional, o burnout também serve como alerta para empresas que mantêm equipes sob pressão contínua, metas excessivas e pouco espaço para descanso.

Quais setores têm maior risco de burnout no Brasil?

Os maiores percentuais de respostas críticas aparecem em setores com forte contato com o público, metas e ritmo intenso de trabalho.

Veja o ranking do levantamento:

  1. Varejo e Atacado: 10,79%
  2. Educação: 9,87%
  3. Marketing, Publicidade e Comunicação: 9,67%
  4. Hotelaria e Restaurante: 9,55%
  5. Setor Público / ONGs: 9,14%
  6. Arte e Lazer: 8,38%
  7. Serviços de Saúde: 7,15%
  8. Consultoria: 6,04%
  9. Indústria: 5,40%
  10. Tecnologia e Software: 4,95%
  11. Transporte e Logística: 4,86%
  12. Agronegócio: 4,70%
  13. Serviços: 4,58%
  14. Governo e Órgãos Públicos: 4,42%
  15. Construção Civil: 3,82%
  16. Utilidade Pública: 3,70%
  17. Financeiro: 3,20%

Mesmo os setores com percentuais menores não estão livres do problema. O relatório explica que os números mostram apenas respostas abaixo de 5,0, ou seja, pessoas que já sinalizaram exaustão em nível crítico.

Por que varejo, educação e marketing aparecem no topo?

O relatório aponta que os setores no topo do ranking têm características em comum. São áreas com atendimento ao público, pressão por resultado, metas constantes e, em muitos casos, jornadas irregulares.

No varejo, por exemplo, a rotina pode envolver cobrança por vendas, contato direto com clientes e escalas variáveis. Na educação, professores e profissionais da área lidam com carga emocional, pressão por desempenho e demandas de alunos, famílias e instituições.

Já no marketing e na comunicação, prazos curtos, entregas simultâneas e alta cobrança por criatividade ajudam a explicar o alerta.

O que a NR-1 muda para as empresas?

A atualização da NR-1 reforça a necessidade de as empresas olharem para riscos psicossociais dentro da gestão de saúde e segurança no trabalho. Isso inclui identificar, registrar e acompanhar fatores que podem afetar a saúde dos trabalhadores.

O relatório explica que a NR-1 conecta o tema ao GRO, Gerenciamento de Riscos Ocupacionais, e ao PGR, Programa de Gerenciamento de Riscos. Na prática, as empresas precisam demonstrar que acompanham esses riscos e adotam medidas de prevenção.

Entre as ações esperadas estão revisão de metas, melhor organização da carga de trabalho, pausas, suporte emocional, canais de escuta e preparo das lideranças.

Burnout no Brasil exige atenção além do RH

O burnout no Brasil também impacta na produtividade, clima interno, rotatividade e afastamentos. Por isso, especialistas defendem que o tema não fique restrito ao RH.

O relatório mostra que pelo menos 4 em cada 10 pessoas ativas já sinalizam algum tipo de risco nas pesquisas de bem-estar emocional. Em setores como tecnologia e educação, esse número chega a 6 ou 7 em cada 10.

Para as empresas, o alerta é direto: cuidar da saúde mental deixou de ser apenas uma ação de bem-estar. Agora, faz parte da gestão de riscos, da retenção de talentos e da sustentabilidade do negócio.


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Autor

  • Bruna Santos

    Jornalista e redatora com experiência em produção de conteúdo digital. Atuou em portais de notícia, rádio e agências, escrevendo para áreas como finanças, saúde, direito e bem-estar. Pós-graduada em Comunicação e Marketing, se especializou em produção de conteúdo informativo para sites.

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