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Durante décadas, o ovo foi vilão. O que mudou na ciência sobre a gema

Por décadas, a gema foi evitada devido ao colesterol. Mudanças nas evidências científicas colocaram o alimento novamente em debate
Ovo em dois ovos fritos sobre uma fatia de pão em prato com folhas verdes, com ovos inteiros ao fundo em mesa de madeira; foco nas gemas.

Tem uma chance real de você ter passado a última década evitando gema de ovo por causa de uma regra que a própria ciência já abandonou. Desde 2016, as diretrizes alimentares removeram o limite diário de colesterol na dieta, uma decisão baseada em anos de evidência acumulada.

Como isso aconteceu? A lógica que sustentou décadas de restrição era simples, se um alimento tem colesterol, comer esse alimento aumentaria o colesterol no seu sangue. Parece óbvio, só que o corpo não é um cofre onde tudo que entra fica guardado do jeito que entrou.

Ocorre que o fígado produz a maior parte do colesterol que circula no seu sangue e ele funciona como uma fábrica que ajusta a própria produção conforme o que recebe de fora, assim quando você come mais colesterol, o fígado reduz a produção interna para compensar.

Ovo e gema em destaque com ilustração do cérebro sobreposto, mostrando “ovo” como foco visual e científico no fundo escuro

O que a ciência descobriu

Entre 75% e 85% da população têm esse mecanismo de ajuste funcionando bem, os chamados hiporrespondedores ao colesterol dietético. Ou seja, para a grande maioria das pessoas, comer ovo tem um impacto muito menor no colesterol sanguíneo do que se acreditava.

Um estudo randomizado de 2025 testou isso de forma direta, pessoas que comeram dois ovos por dia dentro de uma dieta com baixo teor de gordura saturada tiveram o LDL reduzido depois de cinco semanas. O mesmo efeito desapareceu quando os ovos eram consumidos ao lado de bacon, manteiga, frituras.

Isso não é uma licença para comer quantos ovos quiser. Existe uma minoria, pessoas com hipercolesterolemia familiar, diabetes descompensado, doença cardiovascular já estabelecida, que responde de forma diferente ao colesterol dietético e precisa de orientação individualizada. Mas generalizar a cautela dessa minoria para a população inteira é exatamente o tipo de simplificação que criou o mito em primeiro lugar.

Proteína barata

E aqui está um ponto importante, enquanto essa regra ultrapassada continuou circulando, um dos alimentos mais baratos, práticos e nutricionalmente densos do mercado ficou marginalizado.

O ovo é fonte de proteína completa e é uma das principais fontes alimentares de colina, nutriente que o cérebro usa para produzir acetilcolina, neurotransmissor central para atenção e memória. Quantas pessoas, nos últimos anos, trocaram esse aliado direto da própria cognição por um shake industrializado ou um café, achando que estavam fazendo a escolha mais segura?

Você não tomaria uma decisão estratégica hoje com base num dado de 2016 sem checar se ele ainda é válido. Por que sua alimentação ainda segue uma regra da mesma época? Cuide da sua saúde como cuida dos seus negócios.


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Autor

  • Thays Pomini

    Casada, mãe de 2 meninos, nutricionista, pós-graduada em Nutrição Estética e Esportiva, Nutrição Fitoterápica e Epigenética.

    CEO da Clínica Thays Pomini, referência em emagrecimento, estética avançada, saúde hormonal e saúde da mulher.

    Atua também como palestrante em eventos, congressos, empresas e instituições.

    Conselheira do Comitê da Mulher da Associação Comercial de Santos, integrante do grupo Mulheres Inspiradoras e Embaixadora da Associação Amparo Maternal (SP). Voluntária das creches do Instituto Anglicano.

    Madrinha, organizadora e apoiadora do projeto Tripulantes do Cenep, em parceria com o Porto de Santos, Cenep e Deck4.

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