A bronquiolite, a gripe e o resfriado podem começar com sintomas parecidos em crianças, principalmente durante o inverno. Nariz escorrendo, tosse e febre, porém, nem sempre revelam sozinhos a gravidade do quadro.
Segundo o Dr. Lucio Flavio Peixoto de Lima, coordenador médico da UTI Pediátrica e Neonatal do Hospital e Maternidade Sepaco, os pais devem prestar atenção principalmente à respiração, à alimentação e ao comportamento da criança.
Uma criança com resfriado comum, por exemplo, geralmente continua brincando e se alimentando relativamente bem. Já mudanças importantes no apetite ou dificuldade para respirar merecem atenção.
Bronquiolite, gripe ou resfriado: como diferenciar?
O resfriado costuma provocar sintomas mais leves, como nariz escorrendo, espirros, tosse leve e febre baixa ou inexistente. Na maioria dos casos, a melhora ocorre em cerca de uma semana.
Já a gripe, causada pelo vírus Influenza, pode provocar febre alta, dores no corpo e na cabeça, mal-estar, tosse forte e redução do apetite. Em algumas crianças, o quadro pode evoluir para pneumonia ou outras complicações.
A bronquiolite atinge principalmente bebês menores de 2 anos. Na maioria das vezes, a doença está relacionada ao Vírus Sincicial Respiratório (VSR).
No início, os sinais podem lembrar um resfriado. Depois de alguns dias, porém, podem surgir chiado no peito, respiração acelerada, dificuldade para respirar e problemas para mamar ou aceitar a mamadeira.
Quais vírus circulam mais no inverno?
Além do VSR e do Influenza, outros vírus respiratórios também circulam com frequência durante o inverno.
Entre eles estão o rinovírus, associado principalmente aos resfriados comuns, e o SARS-CoV-2, causador da Covid-19. Adenovírus, metapneumovírus e vírus parainfluenza também podem provocar infecções respiratórias em crianças.
Segundo o especialista, a maioria dos bebês com bronquiolite melhora apenas com cuidados de suporte. Alguns grupos, no entanto, apresentam maior risco de complicações.
A atenção deve ser maior para bebês com menos de três meses, prematuros e crianças com doenças cardíacas, pulmonares ou neurológicas, além de pacientes imunossuprimidos.
Quais sinais indicam que a criança precisa de atendimento médico?
Os responsáveis devem procurar avaliação médica diante de sinais como:
- Febre axilar acima de 37,3°C em bebês menores de três meses;
- Febre por mais de 72 horas;
- Respiração rápida, ruidosa ou com chiado intenso;
- Retração das costelas ou movimento das asas do nariz ao respirar;
- Dificuldade para mamar ou recusa de alimentos;
- Vômitos repetidos;
- Sonolência excessiva;
- Redução importante da urina;
- Piora depois de uma melhora inicial.
A coloração arroxeada nos lábios ou nas unhas também exige atenção.
Quando levar a criança ao pronto-socorro?
Alguns sintomas exigem atendimento de emergência. Entre eles estão dificuldade importante para respirar, pausas na respiração, conhecidas como apneia, e pele, lábios ou língua arroxeados.
Também é necessário buscar atendimento imediato se a criança não conseguir mamar ou ingerir líquidos, apresentar sinais de desidratação, sonolência intensa, pouca resposta aos estímulos, irritabilidade fora do habitual ou convulsões.
Como prevenir bronquiolite e outras infecções respiratórias?
A vacinação é uma das principais formas de prevenção das infecções respiratórias graves. Entre as imunizações destacadas pelo especialista estão as vacinas contra Influenza e Covid-19.
No caso do VSR, também existem estratégias de imunização, incluindo vacinação de gestantes e uso de anticorpos monoclonais para alguns bebês, de acordo com as recomendações do Ministério da Saúde.
Outros cuidados simples ajudam a reduzir o risco de transmissão. Lavar as mãos com frequência, evitar o contato de bebês com pessoas doentes e manter os ambientes ventilados são algumas dessas medidas.
Também é importante evitar a exposição das crianças à fumaça do cigarro. O aleitamento materno contribui para fortalecer o sistema imunológico e oferece proteção contra infecções.
Em caso de dúvida, principalmente quando a criança é muito pequena ou possui fatores de risco, a orientação é procurar avaliação médica.