No mês em que se celebra o Dia do Cardiologista, o coração ganha destaque e a atenção se volta para a prevenção e os cuidados com a saúde cardiovascular. A data também reforça a necessidade de conhecer os fatores de risco e adotar hábitos que contribuam para o bom funcionamento do organismo.
Entre as orientações para manter o coração saudável, ainda existem dúvidas sobre o que realmente funciona. Alimentação, atividade física, exames e hábitos do dia a dia estão entre os temas cercados por informações que nem sempre correspondem às recomendações médicas. Esclarecer essas questões é importante, principalmente diante do impacto das doenças cardiovasculares no país.
Segundo dados da Sociedade Brasileira de Cardiologia (SBC), cerca de 400 mil brasileiros morrem todos os anos em decorrência de doenças cardiovasculares, o equivalente a mais de 1,1 mil mortes por dia. O cenário reforça a necessidade de atenção à saúde cardiovascular e de medidas de prevenção ao longo da vida.
Para esclarecer dúvidas que ainda fazem parte da rotina de muitas pessoas, a cardiologista Fernanda Douradinho lista cinco mitos relacionados aos cuidados com o coração.
| Dor no peito sempre é sinal de infarto? | Mito | Nem toda dor no peito é causada por um infarto. O sintoma pode ter origem muscular, pulmonar, gastrointestinal, como no refluxo, ou até emocional. No entanto, alguns sinais exigem atenção imediata. |
| Pressão alta sempre causa sintomas? | Mito | A hipertensão é conhecida como uma doença silenciosa porque, na maioria das vezes, não provoca sintomas. Muitas pessoas descobrem que têm pressão alta apenas durante consultas ou quando já apresentam alguma complicação. |
| Mulheres têm menos risco de infarto do que homens? | Mito | Antes da menopausa, as mulheres costumam apresentar menor risco cardiovascular devido ao efeito protetor dos hormônios femininos. Após a menopausa, porém, esse risco aumenta significativamente e pode se aproximar do observado entre os homens. |
| Quem é jovem não precisa se preocupar com doenças do coração? | Mito | Embora o risco cardiovascular aumente com a idade, pessoas jovens também podem desenvolver doenças cardiovasculares, especialmente quando apresentam fatores como hipertensão, diabetes, colesterol elevado, obesidade, tabagismo, sedentarismo ou histórico familiar. |
| Quem pratica atividade física não precisa fazer acompanhamento com um cardiologista? | Mito | A prática regular de atividade física é uma das principais aliadas da saúde cardiovascular, mas não substitui o acompanhamento médico. |
Dicas
De acordo com a especialista, manter consultas médicas regulares ajuda a identificar fatores de risco que, em muitos casos, não apresentam sintomas e permite o início precoce do tratamento. Entre as principais recomendações para reduzir os riscos e preservar a saúde cardiovascular, estão:
- A aferição regular da pressão arterial é uma das formas de identificar a hipertensão;
- Hábitos saudáveis ajudam a prevenir problemas cardiovasculares;
- Os sinais de infarto podem variar entre homens e mulheres.
Sinais de alerta
A idade não é o único fator relacionado ao desenvolvimento de problemas cardiovasculares. Mesmo entre os jovens, condições como hipertensão, diabetes, colesterol alto e obesidade podem elevar o risco, assim como o hábito de fumar, a falta de atividade física e a existência de casos de doenças cardiovasculares na família.
Entre esses fatores, a hipertensão merece atenção especial, pois é considerada uma doença silenciosa. Na maioria dos casos, não apresenta sintomas, e o diagnóstico ocorre frequentemente durante consultas de rotina ou após o surgimento de complicações.
“Muitas pessoas só descobrem que têm pressão alta durante consultas ou após complicações, como infarto, AVC ou insuficiência renal. Por isso, medir a pressão regularmente é fundamental”, apontua a médica.