O primeiro debate do segundo turno das Eleições 2026 entre o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e o senador Flávio Bolsonaro (PL), realizado pela Band neste domingo (18), teve troca de acusações e apresentação de propostas para áreas como segurança pública, saúde, economia e combate ao endividamento. Os candidatos se enfrentaram pela primeira vez nesta disputa, após não participarem dos debates do primeiro turno.
Durante o encontro, os presidenciáveis defenderam medidas diferentes para combater a criminalidade, ampliar o atendimento de saúde e estimular a economia. Educação e meio ambiente tiveram pouco espaço nas discussões.
Segurança pública: o que Lula e Flávio Bolsonaro propõem
A segurança pública foi o primeiro tema do debate. Flávio Bolsonaro defendeu medidas mais rígidas contra organizações criminosas, enquanto Lula destacou a integração entre o governo federal, os estados e os municípios.
Flávio prometeu classificar milícias e facções como o Primeiro Comando da Capital (PCC) e o Comando Vermelho como organizações narcoterroristas. Também afirmou que pretende criar mais de 500 mil vagas no sistema penitenciário para ampliar a capacidade de abrigar presos.
Entre as propostas do senador estão:
- Implantar o programa Smart Brasil, com mais de 1 milhão de câmeras inteligentes em estados e municípios.
- Conectar bancos de dados de segurança pública para auxiliar na identificação de criminosos.
- Reduzir a maioridade penal para 14 anos em casos de crimes hediondos.
- Implementar a castração química para pedófilos.
- Criar o Cadastro Nacional de Pedófilos e Estupradores, com divulgação dos nomes de condenados por esses crimes.
Lula defendeu a aprovação da PEC da Segurança Pública, que prevê ampliar a participação da União nas ações de combate ao crime em conjunto com estados e municípios. O presidente também prometeu criar um Ministério da Segurança Pública caso a proposta avance.
Saúde: propostas para o SUS
A saúde pública também ocupou espaço no debate. Lula prometeu ampliar o atendimento pelo Sistema Único de Saúde (SUS), enquanto Flávio Bolsonaro apresentou propostas para integrar informações médicas e ampliar o uso da tecnologia.
Lula afirmou que pretende aumentar a contratação de profissionais por meio dos programas Mais Médicos e Agora Tem Especialistas. Também prometeu ampliar a distribuição gratuita de medicamentos de uso contínuo e agilizar o acesso a exames de imagem e consultas com especialistas.
Entre as medidas anunciadas pelo presidente estão:
- Realizar o diagnóstico e iniciar o tratamento de câncer pelo SUS em até 30 dias.
- Aumentar os investimentos públicos em saúde.
- Reestruturar hospitais federais no Rio de Janeiro por meio de parcerias com municípios e a iniciativa privada.
- Ampliar o acesso a consultas e exames especializados.
Flávio prometeu dar ao SUS um padrão de atendimento que chamou de “padrão Einstein”. Para comandar a área, citou o médico Cláudio Lottenberg, ligado à direção do conselho do Hospital Israelita Albert Einstein.
O senador também defendeu a criação de um prontuário eletrônico unificado, com integração dos históricos médicos dos pacientes por meio do CPF entre as redes municipal, estadual, federal e privada. Outra proposta é ampliar o uso da telemedicina em situações de emergência no SUS.
Endividamento: propostas para renegociar dívidas
O endividamento dos brasileiros foi outro assunto abordado pelos candidatos. Flávio Bolsonaro afirmou que pretende criar uma iniciativa para comprar dívidas de pessoas físicas e jurídicas e congelar os pagamentos por um período de seis meses a um ano.
O senador, porém, não detalhou como o programa funcionaria nem explicou quais dívidas seriam contempladas.
Lula mencionou medidas de renegociação de débitos anunciadas pelo governo federal. Entre elas, citou uma nova fase do Desenrola, com descontos de até 95% para dívidas de pessoas físicas, e uma proposta de perdão de dívidas de microempreendedores individuais (MEIs), que, segundo as informações apresentadas, havia sido aprovada pelo Congresso Nacional na semana anterior.
Economia: indústria, empregos e pequenos negócios
Na área econômica, Lula defendeu investimentos em setores que considera estratégicos para o crescimento do país. O presidente apresentou três pilares para um possível quarto mandato: economia verde, economia digital e economia criativa.
A proposta de economia verde prevê atrair investimentos internacionais para a transição ecológica. Na economia digital, Lula citou a atração de data centers para o Brasil e mencionou uma previsão de R$ 500 milhões em investimentos. Já a economia criativa teria linhas de crédito públicas para incentivar a produção cultural e iniciativas comunitárias.
O presidente também prometeu dar continuidade ao programa Nova Indústria Brasil, voltado à modernização da indústria nacional, e manter a política de valorização do salário mínimo, com reajustes anuais acima da inflação.
Flávio Bolsonaro propôs criar o Ministério da Prosperidade, com foco na qualificação profissional, na redução da burocracia para abertura de empresas e na formalização de trabalhadores informais.
O senador também defendeu que novos pequenos negócios comecem a pagar impostos somente após registrar faturamento real. Outra promessa foi oferecer crédito a baixo custo para profissionais autônomos.
Educação: Lula cita Pé-de-Meia Licenciaturas
A educação recebeu menos atenção durante o debate. Lula citou o programa Pé-de-Meia Licenciaturas, iniciativa do Ministério da Educação em parceria com a Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (Capes).
O programa oferece uma bolsa mensal de R$ 1.050 a estudantes de cursos de licenciatura, conforme as regras da iniciativa.
Flávio Bolsonaro não apresentou propostas específicas para a educação durante o encontro.
Soberania nacional e minerais estratégicos
Ao abordar a soberania nacional, Lula defendeu o desenvolvimento da indústria brasileira de exploração e refino de terras raras e minerais críticos. Esses recursos são utilizados na fabricação de produtos como baterias, chips e celulares.
O presidente afirmou que pretende manter o controle brasileiro sobre esses materiais estratégicos, em vez de transferi-los para potências estrangeiras.
Flávio Bolsonaro, por sua vez, defendeu a participação do Brasil no chamado Escudo das Américas, aliança criada durante a gestão de Donald Trump nos Estados Unidos. A iniciativa reúne países do continente para compartilhar informações e realizar ações contra facções criminosas transnacionais.
Meio ambiente teve pouco espaço no debate
O meio ambiente foi um dos temas menos explorados pelos candidatos. Lula mencionou a questão ao defender a economia verde, com atração de investimentos internacionais para financiar a transição ecológica.
Flávio Bolsonaro não apresentou propostas específicas para a área durante o debate.
Debate teve troca de acusações entre os candidatos
Além das propostas, o encontro foi marcado por acusações entre Lula e Flávio Bolsonaro, principalmente em relação a casos de corrupção envolvendo os candidatos e pessoas próximas a eles.
Na discussão sobre saúde, Lula mencionou as mortes registradas durante a pandemia de Covid-19 e criticou a gestão do ex-presidente Jair Bolsonaro. Flávio, por sua vez, voltou a defender mudanças na administração do SUS e indicou a intenção de escolher um nome ligado ao Hospital Albert Einstein para comandar o Ministério da Saúde.
Apesar das divergências, as propostas apresentadas permitiram identificar as prioridades mencionadas pelos dois candidatos para um eventual governo. Segurança pública, saúde e economia concentraram boa parte das discussões, enquanto educação e meio ambiente tiveram participação limitada.




