O ator britânico Patrick Stewart morreu aos 86 anos em sua residência em Los Angeles, nos Estados Unidos. A família e a porta-voz do artista confirmaram o falecimento, ocorrido entre quarta (28) e quinta-feira (29). Segundo os comunicados oficiais, o eterno Professor Xavier da saga X-Men e Capitão Jean-Luc Picard de Star Trek enfrentava diagnósticos conjuntos de Doença de Alzheimer e demência por corpos de Lewy.
Stewart partiu cercado pelo carinho da esposa, a cantora Sunny Ozell, com quem era casado desde 2013, além de familiares e amigos próximos. A nota divulgada nas redes sociais destacou que os últimos momentos do artista contaram com música ao vivo, orações e homenagens à sua trajetória de devoção à arte.

Patrick Stewart e a relação entre Alzheimer e demência por corpos de Lewy
A causa da morte de Patrick Stewart envolveu uma breve jornada contra duas condições neurodegenerativas que atuavam de forma simultânea. Embora a porta-voz Kelly Bush Novak tenha destacado os diagnósticos sem detalhar o laudo terminal exato, as duas doenças provocam o declínio progressivo das funções cerebrais e podem coexistir no mesmo paciente.
A demência por corpos de Lewy ocupa o posto de segunda maior causa de demência neurodegenerativa no mundo, atrás apenas do próprio Alzheimer. O quadro decorre do acúmulo anormal da proteína alfa-sinucleína nas células nervosas do córtex cerebral, área responsável pelo pensamento, linguagem e percepção.
Essa condição provoca sintomas específicos que a diferenciam das fases iniciais do Alzheimer comum:
- Flutuações cognitivas: oscilações bruscas entre estado de alerta mental e períodos de confusão ou sonolência profunda;
- Alucinações visuais: visões detalhadas e complexas que surgem de forma precoce;
- Alterações motoras: rigidez muscular, tremores, lentidão nos movimentos e marcha com passos curtos, semelhantes aos sintomas do Parkinson;
- Distúrbios do sono REM: episódios em que a pessoa fala, grita ou se movimenta bruscamente enquanto sonha.
Enquanto a Doença de Alzheimer compromete primariamente a memória recente devido ao acúmulo das proteínas beta-amiloide e tau, a demência por corpos de Lewy afeta precocemente a atenção e as habilidades motoras. Com o avanço de ambos os quadros, o paciente perde gradualmente a capacidade de realizar atividades básicas do cotidiano.
Seis décadas nos palcos e telas: o legado de Patrick Stewart
Nascido em 13 de julho de 1940 em Mirfield, Inglaterra, Stewart deixou os estudos aos 15 anos para trabalhar como repórter. Pouco depois, ganhou uma bolsa na conceituada Bristol Old Vic Theatre School, abrindo caminho para uma carreira de mais de seis décadas. Em 1966, ingressou na prestigiada Royal Shakespeare Company.
Na televisão e no cinema, atuou na minissérie I, Claudius (1976) e no longa Duna (1984), dirigido por David Lynch. A projeção planetária veio em 1987 ao assumir o comando da nave Enterprise como Jean-Luc Picard em Star Trek: A Nova Geração, série que protagonizou ao longo de sete temporadas e quatro longas-metragens, retornando ao papel em Star Trek: Picard (2020–2023).
A partir dos anos 2000, Stewart conquistou uma nova legião de fãs ao interpretar o Professor Charles Xavier na franquia cinematográfica X-Men. Ele viveu o líder mutante em múltiplos filmes, incluindo X-Men: Dias de um Futuro Esquecido (2014), Logan (2017) e Doutor Estranho no Multiverso da Loucura (2022). O ator britânico ainda tem aparição prevista como Xavier em Vingadores: Doutor Destino. Pelos serviços prestados às artes cênicas, a Rainha Elizabeth II o condecorou Cavaleiro do Império Britânico em 2010.
Relações familiares e reflexões autobiográficas
Apesar da carreira consolidada e do carinho do público global, Stewart enfrentou desafios na vida pessoal. O ator deixa dois filhos, Daniel e Sophie, frutos de sua união com Sheila Falconer (1966–1990). Em entrevista concedida ao Irish Independent em 2023, ele admitiu o distanciamento familiar e expressou arrependimento por colocar a rotina de trabalho à frente da convivência com os filhos.
Na despedida pública, a família citou uma passagem de sua autobiografia, Making It So: A Memoir:
“Como eu, Jean-Luc viveu uma vida incomum, que o levou muito além dos limites da experiência humana normal. Mas ele também é alguém que se manteve fiel às raízes terrenas, pois são elas que lhe deram sua identidade. No fim, ele sente o chamado do lar, assim como eu.”
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