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Hugo Motta deve ter apoio do PL, que quer comandar o Senado com Rogério Marinho

Partido busca acordo para ampliar espaço nas comissões da Câmara, mas pretende disputar a presidência do Senado contra Davi Alcolumbre

O Partido Liberal (PL) deve apoiar a reeleição de Hugo Motta (Republicanos-PB) à presidência da Câmara dos Deputados, mas pretende lançar o senador Rogério Marinho (PL-RN) para disputar o comando do Senado. A estratégia busca ampliar o espaço da sigla no Congresso Nacional e evitar o isolamento nas negociações por cargos e comissões legislativas.

Segundo informações, o partido convocou uma reunião com seus integrantes para terça-feira (3), às 18h. O encontro deve definir a posição da legenda sobre a disputa na Câmara e a distribuição de cargos no Legislativo.

PL avalia acordo para manter espaço na Câmara

Antes de considerar o apoio a Hugo Motta, o PL estudou lançar uma candidatura própria à presidência da Câmara. Entre os nomes avaliados estavam Sóstenes Cavalcante (PL-RJ), líder da bancada, e Altineu Côrtes (PL-RJ), atual vice-presidente da Casa.

A possibilidade perdeu força diante da avaliação de que Motta reúne apoio suficiente para conquistar um novo mandato. O presidente da Câmara já recebeu manifestações favoráveis de 15 partidos, incluindo o PT, que anunciou apoio oficial à sua reeleição.

Uma ala do PL defende que um acordo é necessário para garantir espaço na estrutura legislativa. Isso porque a distribuição das presidências das comissões considera a proporcionalidade dos blocos parlamentares formados no início da legislatura.

Na prática, os maiores blocos escolhem primeiro quais comissões pretendem comandar. Caso fique isolado, o PL poderá perder prioridade na escolha dos colegiados mais disputados.

Entre eles está a Comissão de Constituição e Justiça (CCJ), responsável por analisar a constitucionalidade das propostas que tramitam na Câmara. O deputado Nikolas Ferreira (PL-MG) tem interesse em presidir o colegiado.

Apesar das negociações, há resistência dentro do partido ao apoio a Motta, principalmente entre parlamentares que criticam a proximidade do presidente da Câmara com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT).

PL quer Rogério Marinho na presidência do Senado

No Senado, a estratégia do PL é diferente. O senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) já anunciou Rogério Marinho como candidato da legenda à presidência da Casa.

Atualmente líder da oposição no Senado, Marinho também participou da coordenação da campanha presidencial do PL. O partido pretende manter uma candidatura própria e enfrentar o atual presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP), que busca a reeleição.

Os interlocutores de Alcolumbre afirmam que ele conta com pelo menos 48 votos para continuar no cargo. O senador avalia que o resultado eleitoral favorável a Lula ampliou suas condições de enfrentar um candidato da oposição.

PP e Republicanos já manifestaram apoio à reeleição de Alcolumbre. No entanto, a votação é secreta, e o posicionamento oficial dos partidos não garante que todos os seus integrantes seguirão a orientação das legendas.

Partido terá as maiores bancadas do Congresso

O PL ampliou sua representação nas eleições de outubro e deverá iniciar a próxima legislatura com as maiores bancadas da Câmara e do Senado.

Na Câmara dos Deputados, o partido elegeu 121 parlamentares, 22 a mais do que os 99 da legislatura anterior. A federação formada por PT, PCdoB e PV terá 88 deputados, enquanto o PT contará com 70.

No Senado, o PL elegeu 19 representantes. Somados aos nove senadores que já possuem mandato até 2031, o partido deverá contar com 28 das 81 cadeiras a partir de 2027.

Apesar do crescimento, a quantidade de parlamentares não garante, por si só, o controle das presidências das Casas. As negociações com outras legendas e a formação de alianças serão decisivas para a definição dos cargos.

Disputa envolve pedidos de impeachment de ministros do STF

A resistência do PL à permanência de Alcolumbre também está relacionada aos pedidos de impeachment de ministros do Supremo Tribunal Federal (STF). Atualmente, cabe ao presidente do Senado decidir se aceita ou arquiva solicitações para afastar integrantes da Corte.

Há dezenas de pedidos pendentes, incluindo representações contra o ministro Alexandre de Moraes. Alcolumbre chegou a sinalizar à oposição, em agosto, que poderia discutir o assunto caso fosse reeleito. Posteriormente, porém, passou a indicar a interlocutores que não pretende colocar os pedidos em votação.

Rogério Marinho tem criticado o que considera concentração excessiva de poder na presidência do Senado e defende que a Casa avance na análise de possíveis crimes de responsabilidade de ministros do STF.

A oposição também articula uma mudança no regimento para permitir que pedidos de impeachment avancem automaticamente quando alcançarem 49 assinaturas. Entretanto, a aprovação do afastamento de um ministro exige 54 votos, o equivalente a dois terços dos senadores.

Presidência do Senado pode influenciar indicações ao STF

A disputa também tem impacto sobre futuras indicações ao Judiciário. O presidente da República indica os nomes para o Supremo Tribunal Federal, mas as escolhas dependem da aprovação do Senado.

A composição da próxima legislatura poderá influenciar a tramitação dessas indicações, uma vez que o presidente da Casa tem influência sobre a pauta de votações.

O presidente Lula poderá indicar novos ministros para o STF e para o Superior Tribunal de Justiça (STJ) durante o mandato, em razão de vagas abertas e aposentadorias previstas.

No caso do STF, os indicados pelo presidente da República precisam passar por sabatina na Comissão de Constituição e Justiça do Senado e obter o apoio de pelo menos 41 dos 81 senadores.

Dessa forma, a escolha dos próximos presidentes da Câmara e do Senado será importante para a distribuição de poder no Congresso e para a relação entre o Legislativo, o governo federal e o Judiciário.

*Com informações da CNN Brasil*


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Autor

  • Luana Gasparetto

    Jornalista e radialista, com experiência em produção de conteúdo multiplataforma, elaboração de pautas, entrevistas e cobertura jornalística, com foco em informação de interesse público, comunicação digital e jornalismo investigativo. É autora do livro-reportagem “Borboletas de Concreto: desvelando as marcas deixadas nos corpos de ex-detentas e suas metamorfoses” e pós-graduanda em Gestão de Rádio e Mídias Audiovisuais.

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