Indicação visual de conteúdo ao vivo no site
Indicação visual de conteúdo ao vivo

Justiça condena empresa em Campinas por estupro coletivo de funcionária

Justiça reconheceu caso como acidente de trabalho e determinou indenização de R$ 200 mil à trabalhadora em Campinas (SP)
Martelo de madeira da justiça sobre uma mesa, simbolizando a decisão do TRT-15 que condenou empresa de Campinas a indenizar funcionária vítima de violência durante o expediente.

Uma empresa da região de Campinas (SP) terá de indenizar em R$ 200 mil uma funcionária vítima de estupro coletivo durante o expediente. O Tribunal Regional do Trabalho da 15ª Região reconheceu o caso como acidente de trabalho e apontou falhas na segurança oferecida pela empregadora. O processo tramita em segredo de Justiça e ainda permite recurso.

O crime aconteceu na noite de 31 de outubro de 2022. Na ocasião, a trabalhadora caminhava sozinha entre unidades da empresa após receber uma ordem do superior hierárquico. Durante o trajeto, três homens abordaram, agrediram e violentaram a funcionária.

Justiça aponta negligência da empresa

Segundo a decisão, a empresa não adotava medidas adequadas de segurança para deslocamentos internos realizados durante o expediente, principalmente no período noturno.

Ao longo do processo, a defesa alegou que a trabalhadora teria descumprido orientações para realizar o trajeto acompanhada. A empresa também atribuiu o crime à falta de segurança pública. O Tribunal rejeitou os argumentos.

Os desembargadores entenderam que a companhia assumiu o risco ao não fornecer transporte, acompanhamento ou outro sistema de proteção para a funcionária.

Um relatório técnico anexado ao processo identificou ainda a ausência de protocolos preventivos relacionados aos deslocamentos internos. O documento também apontou que a empresa não possuía Comissão Interna de Prevenção de Acidentes (Cipa).

Decisão prevê indenizações e pensão mensal

A Justiça fixou indenização de R$ 100 mil por danos morais. Os magistrados consideraram a gravidade da violência e a responsabilidade da empresa pela falta de cautela.

A trabalhadora também receberá R$ 30 mil por danos estéticos. Conforme os autos, ela desenvolveu transtorno de estresse pós-traumático e sofreu alterações físicas durante o tratamento médico e medicamentoso após o crime.

Além disso, a decisão determina o pagamento de pensão mensal equivalente ao último salário da vítima até a recuperação completa da capacidade de trabalho. O valor inclui décimo terceiro salário e adicional de férias.

O Tribunal também reconheceu o chamado “limbo previdenciário”. Nesse período, a trabalhadora recebeu alta do INSS, mas não conseguiu retornar às atividades após o médico da empresa considerá-la inapta para o trabalho.

Relato da vítima teve peso na decisão

O acórdão aplicou o Protocolo para Julgamento com Perspectiva de Gênero, diretriz do Conselho Nacional de Justiça voltada a casos de violência contra mulheres.

Os desembargadores destacaram que crimes sexuais costumam ocorrer sem testemunhas. Por isso, o depoimento da vítima possui relevância na análise judicial.

O caso segue em segredo de Justiça para preservar a identidade da trabalhadora.

Casos de violência contra a mulher podem ser denunciados pelo telefone 180, canal nacional que funciona 24 horas por dia. Em situações de emergência, a orientação é acionar a Polícia Militar pelo 190.

*Com informações da Coluna de Leonardo Sakamato, Colunista do Uol*


Continua após a publicidade

Autor

  • Luana Gasparetto

    Jornalista e radialista, com experiência em produção de conteúdo multiplataforma, elaboração de pautas, entrevistas e cobertura jornalística, com foco em informação de interesse público, comunicação digital e jornalismo investigativo. É autora do livro-reportagem “Borboletas de Concreto: desvelando as marcas deixadas nos corpos de ex-detentas e suas metamorfoses” e pós-graduanda em Gestão de Rádio e Mídias Audiovisuais.

VEJA TAMBÉM

caminhão-rodovia

MP do Frete: entenda por que caminhoneiros encerraram greve no Porto de Santos

mulher-morta-são-vicente

Saiba quem era Paula, mulher morta a facadas em São Vicente; ex dela é suspeito

galego-forja-identidade

‘Galego’ trocou nome e documentos antes de ser morto pela Rota em Peruíbe

Fachada do prédio da Prefeitura Municipal de Valinhos, com bandeiras ao lado, em frente à entrada principal. Imagem usada na divulgação do concurso público em Valinhos para procurador com salário de R$ 12,9 mil.

Valinhos abre concurso público para procurador com salário de R$ 12,9 mil

Gostaria de receber as informações da região no seu e-mail?

Preencha seus dados para receber toda sexta-feira de manhã o resumo de notícias.