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Socorro desliga servidoras investigadas por maus-tratos em creche municipal

Portarias publicadas no Jornal Oficial formalizam exoneração após conclusão de processo administrativo disciplinar instaurado no fim de 2025

A Prefeitura de Socorro (SP) publicou nesta terça-feira (25) as portarias que oficializam o desligamento de duas servidoras da creche municipal Jandira Ferreira de Andrade, alvo de investigação por suspeita de maus-tratos contra crianças. A decisão decorre da conclusão do Processo Administrativo Disciplinar instaurado após a divulgação de áudios com ofensas e ameaças dirigidas a alunos.

As Portarias foram publicas no Oficial do Município. Segundo a administração municipal, o procedimento seguiu as etapas previstas em lei, com garantia de contraditório e ampla defesa às investigadas.

Em nota, o Executivo informou que as medidas foram adotadas após a finalização das apurações internas, observando a legislação vigente e os trâmites administrativos cabíveis.

Áudios motivaram investigação

O caso ganhou repercussão no início de fevereiro, quando vieram a público gravações feitas por meio de um dispositivo escondido na mochila de uma criança. O conteúdo registrou falas com xingamentos, ameaças e expressões agressivas dirigidas aos alunos.

  • Entre os trechos captados, aparecem frases como “vai tomar uma pancada na cabeça”, além de menções ao uso de cintos e risadas durante episódios de repreensão.

  • Em outra gravação, uma das funcionárias teria se referido a uma mãe como “uma tranqueira” e a uma criança como “encardida”.

  • Em determinado momento, enquanto um aluno chorava, uma das profissionais afirmou: “Não vai aprender mesmo”.

A divulgação dos áudios levou à abertura de inquérito pela Polícia Civil e à instauração do procedimento administrativo por parte do município. As servidoras permaneceram afastadas durante a apuração.

Depoimentos de mães

A denúncia formal foi apresentada à polícia em novembro de 2025. De acordo com a Secretaria de Segurança Pública, onze mães de crianças entre dois e três anos prestaram depoimento e entregaram fotografias que apontariam possíveis marcas físicas nos filhos.

As investigadas deverão ser ouvidas para apresentar suas versões dos fatos no âmbito da apuração criminal.

As suspeitas surgiram após relatos das próprias crianças sobre resistência em frequentar a creche. Segundo familiares, os alunos passaram a demonstrar aversão ao ambiente escolar e retornavam para casa com arranhões e hematomas.

Uma das mães relatou que o filho, de três anos, deixou de querer ir às aulas poucas semanas após a matrícula e, ao reproduzir a rotina escolar com um boneco, encenou comportamentos agressivos que despertaram desconfiança na família.


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Autor

  • Iago Yoshimi Seo

    Jornalista formado em junho de 2025, atuando desde 2023 com foco em reportagens de profundidade, gestão de projetos, fotografia e pesquisa. Autor de obra sobre temas sociais e políticos, com análise crítica da democracia e da sociedade.

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