Morreu nesta terça-feira (9), em Santa Catarina, Marcelo Nascimento da Rocha, conhecido nacionalmente como Marcelo VIP e apontado como um dos maiores golpistas do Brasil. Nos últimos anos, ele estava morando em Curtitiba (PR), atuava como palestrante e escritor. Marcelo tinha 49 anos.
A morte foi confirmada pelo advogado e amigo de Marcelo, Nilton Ribeiro. Segundo ele, o falecimento ocorreu devido a complicações hepáticas, uma doença crônica caracterizada pela formação de cicatrizes no fígado e pelo comprometimento progressivo do funcionamento do órgão.
Carreira criminosa e prisões
Marcelo VIP ganhou notoriedade nacional em 2001, após aplicar um dos golpes mais famosos de sua carreira. Durante uma festa em Recife (PE), ele se passou por Henrique Constantino, um dos fundadores da Gol Linhas Aéreas, concedendo entrevistas e enganando celebridades como Amaury Jr., Ricardo Macchi, Marcos Frota e Carolina Dieckmann.
Ao longo da vida, Marcelo acumulou diversas condenações, incluindo associação ao tráfico, roubo de avião, estelionato e falsidade ideológica. Foi preso ao menos 12 vezes e protagonizou seis fugas do sistema prisional. Entre 2010 e 2014, cumpriu pena na Penitenciária Central do Estado (PCE), onde permaneceu por quatro anos até progredir para o regime semiaberto, cumprido inicialmente em casa com monitoramento por tornozeleira eletrônica.
Em 2018, ele voltou a ser preso sob acusação de forjar documentos para conseguir progressão de regime. Após deixar a cadeia pela última vez, Marcelo buscou reescrever sua trajetória, atuando como palestrante e escritor.
Filme “VIPs”
A ousadia de seus golpes e a complexidade de sua história inspiraram o filme “VIPs – Histórias reais de um mentiroso”, lançado em 2011 e estrelado por Wagner Moura. O filme teve 600 mil espectadores e ganhou quatro prêmios no Festival do Rio, incluindo melhor filme, melhor ator (Wagner Moura), melhor ator coadjuvante (Jorge D’Elía) e melhor atriz coadjuvante (Gisele Fróes).
Quem era Marcelo VIP
Marcelo Nascimento da Rocha nasceu em Maringá (PR), em 19 de março de 1976, filho de Josélia Nascimento e Aparecido Hildo da Rocha.
Após o divórcio dos pais, em 1984, passou a viver entre o Paraná e uma fazenda em Rondônia, para onde o pai havia se mudado. Em seu livro, Marcelo relata que, após a morte do pai por infarto, decidiu se “aventurar” e conhecer o mundo, iniciando a carreira de golpes para conseguir viajar.
Nos anos 1990 e 2000, além do golpe da Gol, ele se passou por guitarrista do Engenheiros do Hawaii e por representante do Primeiro Comando da Capital (PCC) como líder de rebelião.