A manhã desta quinta-feira (19) começou incerta, com filas nos postos de gasolina e tensão nas pistas. A possibilidade de uma nova paralisação nacional dos caminhoneiros voltou ao radar após a alta de quase 19% no preço do diesel, que colocou a categoria em estado de alerta em todo o país.
O aumento reacende discussões sobre a composição dos preços dos combustíveis, que incluem fatores como o mercado internacional e a cobrança do ICMS, imposto estadual que incide sobre o valor final nas bombas.
À frente da mobilização está Wallace Landim, presidente da Associação Brasileira de Condutores de Veículos Automotores (Abrava) e uma das principais vozes da Greve dos caminhoneiros de 2018. Segundo ele, o cenário atual já é considerado crítico para os profissionais autônomos.
“O custo do combustível engoliu o valor do frete”, afirmam representantes da categoria, que veem a atividade se tornar financeiramente inviável diante da escalada dos preços, impulsionada, entre outros fatores, pela crise no Oriente Médio.
Governo tenta conter crise
Em reunião realizada nesta quarta-feira (18), lideranças decidiram aguardar a publicação oficial das medidas anunciadas pelo ministro dos Transportes, Renan Filho, antes de decidir sobre a greve.
Entre as propostas apresentadas pelo governo está a criação de um sistema de fiscalização eletrônica dos fretes em todo o país. A medida pretende impedir que empresas paguem valores abaixo do mínimo estabelecido, sob pena de sanções.
Apesar do anúncio, a ausência de detalhes no Diário Oficial da União desta quinta-feira (19) aumentou a desconfiança entre os caminhoneiros.
“Vamos aguardar a publicação para entender como isso será feito. A partir daí, decidiremos se atende ou não ao segmento. Mas seguimos em estado de paralisação”, declarou Landim.
Parte das mobilizações já começaram
Mesmo sem uma decisão final, parte da categoria já iniciou movimentos de pressão. Em Itajaí, caminhoneiros ligados à Associação Nacional dos Transportadores Autônomos de Carga (ANTC) mantiveram mobilização no porto da cidade.
A orientação é que, a partir do meio-dia, motoristas deixem de carregar caminhões e recusem fretes, como forma de pressionar o setor e o governo.
Risco de impacto nacional
Caso a paralisação se confirme, os efeitos podem ser imediatos e atingir o abastecimento de combustíveis, alimentos e outros produtos essenciais, repetindo um cenário já vivido no país anos atrás.
Por enquanto, a categoria aguarda uma resposta concreta do governo, mas o clima nas estradas já é de incerteza.