A rotina em condomínio exige atenção constante às regras de convivência, manutenção do imóvel e gestão financeira. No quadro Papo de Síndico, o especialista Tiago Marsaioli esclareceu as dúvidas mais frequentes de moradores sobre o uso de serviços prestados por diaristas em múltiplos apartamentos, a divisão de custos em caso de vazamento na tubulação e a eficiência da portaria virtual em relação aos métodos tradicionais.
Mesma diarista pode atender diferentes vizinhos no condomínio?
Uma das dúvidas mais comuns entre condôminos envolve a prestação de serviços por profissionais autônomos para mais de uma unidade no mesmo edifício. De acordo com o especialista Tiago Marsaioli, não há impedimento legal para essa prática, e a gestão de condomínio não deve interferir no contrato particular.
“A relação de trabalho é entre você e esses outros donos de unidade com a dona Gildete, por exemplo. Em muitos condomínios, a assembleia não pode nem proibir, se não seria discriminação, a ter o cadastro lá diante do sistema de segurança que você tem.”
O especialista ressalta que o controle de acesso precisa estar registrado corretamente no sistema do prédio para garantir a proteção de todos os moradores.
“Uma unidade vai ficar responsável pelo cadastro dela. Se o sistema permitir colocar que ela trabalha em diversas unidades, vai ser colocado no sistema. Do ponto de vista trabalhista e do ponto de vista social, é um problema seu e da dona Gildete. O condomínio nem entra nessa relação.”
De quem é a responsabilidade por vazamentos em canos?
A dúvida sobre quem deve pagar pelos reparos na rede hidráulica, se a despesa é do morador ou do prédio, representa um motivo recorrente de conflitos em regras de condomínio. Tiago Marsaioli explica que a regra básica para identificar o responsável depende do tipo de tubulação afetada.
“Resumindo para toda a nossa audiência: cano vertical, prédio; cano horizontal, morador. Geralmente, os canos verticais são canos de prumada, são os canos que atendem todas as unidades. Já o cano horizontal é o que vem da prumada para a tua pia.”
Problemas em componentes internos do apartamento, como torneiras, descargas ou válvulas, cabem exclusivamente ao proprietário ou morador da unidade.
“Quando o cano horizontal, o caninho do banheiro, por exemplo, tem um problema na válvula Hydra, a válvula Hydra está fora do cano, dentro da casa, deu problema na válvula Hydra, por exemplo, meu problema. Aquele cano da válvula Hydra não é um cano de prumada.”
Portaria virtual vale a pena? Entenda segurança e custos
A substituição do modelo presencial por sistemas de portaria remota é uma tendência em crescimento nas cidades brasileiras. O especialista aponta que essa transição exige investimentos em infraestrutura tecnológica para garantir o controle efetivo de acesso e aumentar a segurança em condomínio.
“A portaria digital, a portaria remota, para entrar dentro de um condomínio, tem que ter um forte aparato de segurança, ou seja, cerca elétrica, sensores de perímetro, um aumento de câmeras, porque quem está fora do condomínio precisa estar bem orientado por todos os artifícios de segurança que o condomínio tem.”
Embora a escolha dependa do perfil dos moradores, especialmente em locais com maior presença de idosos, a busca pela redução de despesas é o principal fator impulsionador do modelo virtual.
“A portaria digital tem essa melhoria de segurança. Porém, vai depender do perfil da edificação. Por finalizar, muitas das vezes a gente sabe onde dói o bolso. A folha de pagamento consome entre 60% e 70% dos gastos do condomínio. Se você precisa reduzir ou fazer outros investimentos sem subir o condomínio, você tem que mexer na folha de pagamento.”




