O preço do feijão após os levantamentos mostrarem alta em todas as capitais pesquisadas. A pressão veio do excesso de chuvas nas regiões produtoras, que atrapalhou a colheita, reduziu a oferta e ajudou a empurrar para cima o custo da cesta básica em todo o país.
Em março de 2026, os preços da cesta básica subiram nas 27 capitais acompanhadas. São Paulo teve o maior valor, com R$ 883,94, enquanto Aracaju registrou a cesta mais barata, em R$ 598,45. Entre os produtos que mais pesaram no orçamento, o feijão apareceu ao lado da batata, do tomate, da carne bovina e do leite.
Por que o preço do feijão subiu
O preço do feijão subiu porque as chuvas em áreas produtoras dificultaram a colheita e limitaram a oferta do grão no mercado. Além disso, houve redução de área na primeira safra e expectativa de menor produção na segunda safra, o que aumentou a pressão sobre os preços.
Segundo o levantamento, o feijão preto teve alta nas cidades do Sul, no Rio de Janeiro e em Vitória. Já o feijão carioca, pesquisado nas demais capitais, também avançou com força. Em Belém, por exemplo, a alta do carioca chegou a 21,48% no mês.
O presidente do Instituto Brasileiro do Feijão, Marcelo Lüders, explicou que muita gente colheu menos do que esperava neste ano por causa do clima. Isso ajuda a entender por que o consumidor sente a alta no mercado, mesmo sem que isso signifique ganho maior para todos os produtores.
Alta da cesta básica acende alerta
A disparada do feijão não veio sozinha. O Dieese apontou que todas as 27 capitais tiveram aumento da cesta básica em março. As maiores altas percentuais foram registradas em Manaus, Salvador, Recife, Maceió e Belo Horizonte.
O impacto no bolso continua grande. Em março, o trabalhador precisou comprometer em média 48,12% da renda líquida para comprar os alimentos básicos. O tempo médio necessário para adquirir a cesta foi de 97 horas e 55 minutos.
Outro dado que chama atenção é o valor do salário mínimo ideal calculado pelo Dieese. Considerando a cesta mais cara do país e os gastos essenciais de uma família de quatro pessoas, o rendimento necessário em março seria de R$ 7.425,99.
O que pode acontecer com o feijão nos próximos meses
O cenário para o preço do feijão ainda inspira cautela. De acordo com o setor, o feijão carioca chegou a cerca de R$ 350 por saca, com chance de alívio entre agosto e outubro, quando a safra irrigada deve entrar no mercado.
No caso do feijão preto, o valor gira em torno de R$ 200 a R$ 210 por saca, apoiado por estoques remanescentes de 2025. Mesmo assim, a expectativa é de pressão adiante, já que o plantio foi menor e a chuva também afetou áreas importantes, como o Paraná.
A Conab estima produção acima de 3 milhões de toneladas no ciclo, com avanço de 0,5% sobre a temporada anterior. Ainda assim, o mercado segue atento ao clima, ao custo de produção e ao comportamento da oferta nos próximos meses.
*Com informações de Agência Brasil