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Juliano Cazarré causa polêmica ao dizer que mulheres matam mais que homens

Juliano Cazarré participa de debate sobre masculinidade e o papel do homem na sociedade contemporânea.

O ator Juliano Cazarré tornou-se um dos assuntos mais comentados da internet após participar de um debate sobre o papel dos homens na atualidade, realizado na noite de terça-feira (12). Durante a conversa, que contou com a presença da psicanalista Vera Iaconelli e do consultor Ismael dos Anjos, o artista afirmou que o número de homens assassinados por mulheres superou o de mulheres mortas por homens em 2025. A fala, dita sem a apresentação de fontes oficiais, gerou reações imediatas dos especialistas e revolta entre internautas.

Entenda a fala polêmica de Juliano Cazarré

Durante o debate sobre violência e masculinidade, Cazarré defendeu que o Brasil é um país violento contra todos os grupos e minimizou o foco na violência de gênero. “Mata muito homem, inclusive mais mulheres mataram homens do que homens mataram mulheres”, disparou o ator.

Para sustentar sua tese, o artista citou números específicos: segundo ele, 2,5 mil homens foram mortos por mulheres, enquanto 1,5 mil mulheres teriam sido mortas por homens no último ano. Contudo, ele não indicou de onde os dados foram extraídos.

Ator Juliano Cazarré em debate televisivo sobre violência de gênero e o papel masculino na atualidade.
O ator Juliano Cazarré em participação em debate televisivo sobre o papel do homem e violência de gênero

Especialistas rebatem dados e explicam feminicídio

A afirmação de Cazarré foi prontamente contestada por Ismael dos Anjos. O consultor esclareceu que o ator estava fazendo uma confusão conceitual grave ao comparar homicídios gerais com feminicídios, que é o assassinato de uma mulher especificamente por sua condição de gênero.

“É importante distinguir. Feminicídio é um tipo de crime específico. Não quer dizer que foram só 1,5 mil mulheres mortas, não. Foram muito mais”, pontuou Ismael, explicando que o dado citado por Cazarré refere-se apenas a uma categoria jurídica e não ao total de vítimas do sexo feminino.

A psicanalista Vera Iaconelli também interpelou o ator, destacando que o discurso machista e conservador alimenta a violência. “É difícil pensar num homem que protege quando são os homens que nos atacam”, rebateu Vera, ao comentar o projeto de Cazarré voltado para o público masculino.

Dados oficiais desmentem equivalência

Diferente das informações dadas pelo ator, o Anuário Brasileiro de Segurança Pública mostra que a realidade é distinta. Embora os homens sejam as maiores vítimas de homicídios no país (91,1% em 2024), essas mortes ocorrem majoritariamente em contextos de violência urbana, tráfico e intervenções policiais — e não em crimes cometidos por mulheres no âmbito doméstico.

Já no caso do feminicídio, o cenário é inverso: 99,3% das vítimas são do sexo feminino, evidenciando que a violência fatal cometida por mulheres contra homens em razão de gênero é estatisticamente irrelevante diante da “epidemia” de violência contra a mulher.

Repercussão nas redes sociais

A postura de Juliano Cazarré não foi bem recebida pelo público. No X (antigo Twitter) e no Instagram, usuários criticaram a falta de fundamentação nas falas do artista.

  • “Show de horrores este papo do Cazarré!”, comentou um usuário.
  • “Alguém avisa a ele que a gente não precisa dar opinião de tudo, principalmente daquilo que não sabemos”, sugeriu outra internauta.
  • “Como conseguir dormir depois de ouvir o Cazarré? Vou ter pesadelo”, desabafou uma terceira.

Recentemente, o ator lançou um evento exclusivo para o público masculino, o que tem intensificado sua presença em discussões sobre o comportamento do homem na sociedade moderna.


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Autor

  • Beatriz Biaggioni

    Jornalista formada pela Pontifícia Universidade Católica de Campinas. Comunicativa e curiosa, gosto de ouvir histórias, aprender com as pessoas e transformar isso em comunicação com sentido. Em constante crescimento, com olhar atento e vontade de fazer bem feito.

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