O estudante de Educação Física, de 20 anos, apontado como autor de ameaças de agressão e estupro contra uma jovem em Santos, no litoral de São Paulo, foi suspenso das aulas na universidade particular onde estuda. A medida foi confirmada pela própria instituição nas redes sociais, no início da tarde deste domingo (1º).
Conforme noticiado anteriormente, o jovem foi associado a mensagens nas quais teria afirmado que estupraria a vítima se ela não quisesse manter relações sexuais com ele. Em outro trecho, diz que a abordaria “de máscara”, quando ela estivesse “sozinha”, para agredi-la durante uma festa universitária, na última sexta-feira (27).
Em nota, o campus informou que “trata todo e qualquer caso de violência com a máxima seriedade” e que repudia condutas que representem desrespeito ou violação à dignidade da comunidade acadêmica. A universidade acrescentou que o estudante está impedido de frequentar as aulas enquanto o caso é apurado.
Ameaças
Pessoas próximas aos dois, ouvidas pelo VTV News, relataram que eles se conheceram durante um evento de Carnaval, em meados de fevereiro. Após uma brincadeira em que o jovem precisava escolher alguém para beijar, os dois trocaram contatos e passaram a conversar. Com o passar do tempo, no entanto, a universitária perdeu o interesse nas investidas.
Segundo essas fontes, o rapaz não teria aceitado o afastamento e, ao perceber que estava sendo ignorado, passou a fazer comentários ofensivos, direcionados tanto à jovem quanto a amigos dela. Parte das mensagens veio a público ainda na sexta-feira, por meio das redes sociais (leia abaixo alguns dos diálogos).
- “Mó mina fdp”.
- “Eu vou chutar ela na rua”.
- “Quando ela estiver sozinha, vou de máscara”.
- “Não vai nem saber qm é”. [SIC]
Em outra parte da conversa, as ameaças ganham contornos ainda mais graves:
- “Bater o p*u na língua”.
- “Enfiar dedo no olho”.
- “Se eu não deixar ela cega meu nome não é…”
- “Se ela n quiser transar eu estupro, no mínimo.” [SIC]
A jovem também passou a ser atacada poucas horas depois de ter sido chamada de “especial”, apesar do pouco tempo de conversa. “Nem sei por que peguei você. Você parece um chupa-cabra de tão feia. Mas o bom é que seu prédio só tem gostosa”, escreveu. Após a divulgação das mensagens, a estudante decidiu expor o caso.

Pedido de desculpas
Após a repercussão, o estudante publicou um vídeo nas redes sociais, admitindo ter tido uma “atitude horrível”. No posicionamento, ele classificou o comportamento como “coisa de moleque” e afirmou estar arrependido. Também disse que pediu desculpas à colega e a outros alunos da faculdade.
“Quem me conhece sabe que eu nunca fui assim, nunca tratei ninguém dessa forma. Eu não tenho o que dizer, eu errei muito e já me retratei, mesmo que indiretamente, mas queria deixar claro que estou arrependido”.
Providências
A equipe de reportagem entrou em contato com a vítima das ameaças e com a família. A mãe dela agradeceu a procura, mas informou que não pretende se posicionar publicamente neste momento.
Contudo, a vereadora santista Débora Camilo (PSOL), conhecida pela atuação em defesa dos direitos das mulheres e no combate à violência de gênero, conversou com a jovem e informou à reportagem que a família já está tomando as providências necessárias para garantir a integridade dela e registrar o caso junto à Polícia Civil.
Para a parlamentar, o caso revela um problema estrutural. “Isso ocorreu dentro de um grupo, então a pessoa se sentiu bem à vontade para externar o que pretendia fazer. Foi uma mensagem, mas poderia acontecer o pior”, afirmou. Ela defende mais debate sobre machismo e violência de gênero nos ambientes universitários.
Abaixo-assinado
Além da ampla repercussão das mensagens, outros universitários se mobilizaram e criaram um abaixo-assinado pedindo a expulsão do estudante da instituição. Até o momento, a iniciativa já reúne mais de 1.800 assinaturas.
O que diz a universidade?
Com apoio da associação atlética do curso, que representa os alunos, a Universidade Santa Cecília (Unisanta) onde ambos estudam se pronunciou em uma nota de esclarecimento, e informou que instaurou um procedimento interno para apurar os fatos. Leia a nota na íntegra abaixo:
“A [universidade] trata todo e qualquer caso de violência com a máxima seriedade, repudia e não admite condutas que representem desrespeito ou violação à dignidade da comunidade acadêmica.
Assim que tomou conhecimento de prints no aplicativo de mensagens WhatsApp envolvendo o nome de um aluno calouro, a instituição, imediatamente e de forma cautelar, tomou todas as medidas legais, intimou o estudante, que foi formalmente impedido de frequentar as dependências da universidade e participar de qualquer atividade acadêmica. O caso está sendo rigorosamente apurado por meio de procedimento interno, nos termos do Regimento Institucional e na forma da lei.
Concluída a apuração, serão aplicadas, com o máximo rigor, as medidas disciplinares e legais cabíveis”.
Como denunciar casos de violência contra a mulher
- Disque 190 – Polícia Militar
- Disque 180 – Polícia Militar – Central de Atendimento à Mulher
- Disque 181 – Disk Denúncia
- Delegacias de Defesa da Mulher – https://www.spportodas.sp.gov.br/sp-por-todas/seguranca_mulher/delegacias_da_mulher
- Delegacia Eletrônica da Polícia Civil – delegaciaeletronica.policiacivil.sp.gov.br/ssp
- Atendimento presencial em delegacias da polícia e salas DDM Online – https://prefeitura.sp.gov.br/web/direitos_humanos/w/mulheres/rede_de_atendimento/2096
