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Filha de 7 anos de PM morta por coronel dará depoimento especial à Justiça

Menina de 7 anos será ouvida em sala reservada e com apoio de psicólogos
Policial militar Gisele Santana e o tenente-coronel Geraldo Leite Rosa Neto, figuras centrais no processo que investiga o feminicídio da PM.

A filha da policial militar Gisele Alves Santana, de apenas 7 anos, vai depor na Justiça no processo que investiga o assassinato de sua mãe. O principal acusado do crime é o padrasto da menina, o tenente-coronel Geraldo Leite Rosa Neto.

A criança passará por um procedimento chamado depoimento especial, que serve para proteger menores de idade em situações de trauma.

Dessa maneira, o Tribunal de Justiça de São Paulo (TJ-SP) adota regras rígidas para o depoimento especial:

  • Espaço reservado: A menina não terá contato com o acusado, com o juiz ou com os advogados. Ela ficará em uma sala acolhedora e separada.
  • Profissionais da saúde: Apenas um psicólogo ou assistente social conversará com ela e fará as perguntas de forma leve.
  • Transmissão ao vivo: O juiz, a acusação e a defesa vão acompanhar tudo por vídeo, em tempo real, de outra sala. O depoimento será gravado e corre em segredo de Justiça para proteger a intimidade da menina.

No mesmo dia, a Justiça também vai ouvir os pais e o irmão de Gisele, além do pai da criança (ex-marido da PM). O depoimento do tenente-coronel Geraldo está marcado para o dia 3 de julho.

Relatos de brigas

A menina morava com a mãe e o tenente-coronel em um apartamento no Brás, no centro de São Paulo, onde Gisele foi encontrada morta com um tiro na cabeça. A criança não estava no local no momento do crime.

Retrato da PM Gisele Santana ao lado do tenente-coronel Geraldo Leite Rosa Neto, principal acusado do crime ocorrido no Brás.
PM Gisele e Neto Foto: Reprodução

Apesar disso, o depoimento dela é considerado chave: o pai da menina relatou que, sempre que a buscava, ela chorava e dizia que o casal brigava de forma constante e intensa. Um dia antes do crime, em 17 de fevereiro, a criança entrou no carro do pai chorando e implorando para não voltar ao apartamento, pois “não aguentava mais as brigas”.

Relembre o caso

O tenente-coronel Geraldo Neto foi preso em 18 de março, acusado de matar a esposa, Gisele Santana, de 32 anos.

A vitima foi encontrada morta com um tiro na cabeça no apartamento onde o casal morava, no Brás, região central de São Paulo, no dia 18 de fevereiro. Inicialmente, o caso foi tratado como suicídio.

Porém, a análise de laudos periciais, depoimentos e dados de dispositivos eletrônicos levou a investigação a outra linha: o feminicídio.

Entre os pontos que chamaram a atenção dos investigadores estão contradições no depoimento do tenente-coronel, indícios de possível manipulação da cena do crime e sinais de violência anteriores à morte da vítima.

Veja as datas de depoimentos:

  • 29 de junho – 9h30: Lucas de Souza Lopes, delegado do caso; peritos criminais; policiais militares; uma vizinha do apartamento onde vivia o casal;
  • 30 de junho – 9h30: policiais militares e uma testemunha protegida;
  • 1º de julho – 9h30: os pais de Gisele; depoimento especial da filha da vítima, entre outros;
  • 2 de julho – 9h30: policiais militares, incluindo um coronel;
  • 3 de julho – 10h: interrogatório de Geraldo Leite Rosa Neto.


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Autor

  • Beatriz Santos

    Jornalista formada pela Universidade Santa Cecília em 2024. Atua com produção de conteúdo, redação e assessoria de imprensa.

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