A Justiça de São Vicente, no litoral de São Paulo, marcou para esta quarta-feira (24) a audiência de instrução de Jonas de Oliveira, de 32 anos, acusado de tentar matar a ex-companheira, de 26. A informação foi confirmada ao VTV News pelo advogado assistente de acusação, Matheus Siqueira.
Conforme noticiado anteriormente, Jonas responde por tentativa de feminicídio, ameaça e descumprimento de medida protetiva. Ele está preso preventivamente desde fevereiro, no Centro de Detenção Provisória (CPD) da cidade, quando foi detido após a divulgação de imagens que registraram a agressão dentro do elevador de um prédio no bairro Itararé (assista abaixo).
Ao receber a denúncia do Ministério Público de São Paulo (MP-SP), a Justiça considerou haver elementos suficientes para a continuidade da ação penal. Entre as provas citadas estão os depoimentos da vítima, mensagens atribuídas ao acusado e as gravações das câmeras de segurança.
O VTV News procurou a defesa de Jonas, mas ainda não obteve retorno. O texto poderá ser atualizado.
O crime
De acordo com o delegado Rogério Pezzuoul, responsável pela investigação, o relacionamento começou em outubro e terminou em dezembro do ano passado, após uma primeira agressão. A mulher chegou a solicitar medida protetiva de urgência, mas acabou reencontrando o ex-companheiro em um bar, em Santos.
O caso começou após uma discussão no estabelecimento, motivada por mensagens encontradas pelo acusado no celular da vítima. Após deixarem o estabelecimento em um carro por aplicativo, Jonas teria continuado as agressões durante o trajeto – com beliscões e puxões de cabelo – antes de levá-la ao prédio onde morava.
No local, a mulher tentou recuperar o aparelho celular, mas, ao tentar deixar o edifício, foi atacada pelo acusado dentro do elevador. As imagens obtidas pela reportagem mostram a vítima sendo puxada pelos cabelos, arremessada contra as paredes, mordida e enforcada. De acordo com o MP-SP, Jonas aplicou um golpe conhecido como “mata-leão”, caracterizando o emprego de asfixia durante o crime.
Mesmo após as agressões, o acusado teria ameaçado a vítima. Em uma das mensagens anexadas ao processo, Jonas afirmou que “explodiria a cara” da mulher “na bala” ao acreditar que ela teria repassado as imagens da agressão à imprensa. O caso foi registrado na Delegacia de Defesa da Mulher (DDM) de São Vicente.

O homem foi preso em 11 de fevereiro, na própria residência, após se recusar a abrir a porta para os policiais civis, que precisaram forçar a entrada no imóvel. Ao ser localizado, Jonas estava sentado no sofá, com o celular na mão e a conversa com a vítima ainda aberta nas mensagens enviadas a ela.
Para o MP-SP, o crime foi praticado por motivo torpe, em razão do ciúme do acusado em relação às mensagens encontradas no aparelho celular da vítima, e a mulher só sobreviveu porque conseguiu escapar. Jonas ainda teria descumprido uma medida protetiva concedida à vítima em dezembro de 2025, já que a decisão judicial proibia qualquer contato entre os dois e determinava que ele mantivesse distância mínima de 100 metros da mulher.
Defesa
À época dos fatos, a defesa de Jonas afirmou discordar da acusação de tentativa de feminicídio e sustentou que o recebimento da denúncia pelo Judiciário não representava um reconhecimento de culpa. O advogado alegou que as agressões ocorreram durante uma discussão envolvendo a disputa por um celular e defendeu que o contexto do episódio afastaria a qualificadora de motivo torpe apontada pelo Ministério Público.
Ainda segundo a defesa, apesar da conduta ser “reprovável” e passível de punição, não houve intenção de matar a vítima. O representante de Jonas também afirmou que o golpe conhecido como “mata-leão” teria sido aplicado para conter a mulher e tomar o aparelho celular, e não com a finalidade de “ceifar a vida” dela.
Já o Tribunal de Justiça do Estado de São Paulo (TJ-SP) foi contatado pela reportagem nesta terça-feira (23), mas não pôde confirmar as informações pois o processo “tramita sob segredo de justiça”.
Como denunciar casos de violência contra a mulher
- Disque 190 – Polícia Militar
- Disque 180 – Polícia Militar – Central de Atendimento à Mulher
- Disque 181 – Disk Denúncia
- Delegacias de Defesa da Mulher – https://www.spportodas.sp.gov.br/sp-por-todas/seguranca_mulher/delegacias_da_mulher
- Delegacia Eletrônica da Polícia Civil – delegaciaeletronica.policiacivil.sp.gov.br/ssp
- Atendimento presencial em delegacias da polícia e salas DDM Online – https://prefeitura.sp.gov.br/web/direitos_humanos/w/mulheres/rede_de_atendimento/2096