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Júri do caso Henry Borel entra na fase de depoimentos nesta terça-feira

Delegados, peritos e médico-legista começam a ser ouvidos no segundo dia do julgamento de Jairinho e Monique Medeiros no Rio
Retrato de Henry Borel sorrindo, ilustrando a cobertura jornalística sobre o julgamento dos acusados Jairinho e Monique Medeiros.

O julgamento de Henry Borel entrou nesta terça-feira (26) na fase de depoimentos das testemunhas consideradas centrais para a acusação contra o ex-vereador Jairo Souza Santos Júnior, conhecido como Jairinho, e Monique Medeiros. Os dois respondem pela morte do menino de 4 anos, ocorrida em março de 2021, no Rio de Janeiro.

O segundo dia do júri popular começou no 2º Tribunal do Júri da Capital, no Fórum Central do Rio, depois que a primeira sessão terminou sem ouvir testemunhas por causa de impasses envolvendo a defesa do ex-vereador. Além disso, o Ministério Público estima que o julgamento dure cerca de sete dias.

O delegado Edson Henrique Damasceno abriu a fase de depoimentos nesta terça-feira. Ele comandou as investigações iniciais da morte da criança. Segundo o investigador, a polícia recebeu o caso inicialmente como suspeita de acidente doméstico. No entanto, exames periciais e novas diligências mudaram o rumo da apuração.

Durante o depoimento, o delegado afirmou que o laudo de necropsia identificou lesões incompatíveis com a versão apresentada pelos réus. Por isso, a equipe aprofundou as investigações e realizou novas oitivas.

Testemunhas devem reforçar linha da acusação

Além de Damasceno, o júri deve ouvir a delegada Ana Carolina Lemos Medeiros de Caldas, o médico-legista Luiz Airton Saavedra de Paiva e o perito Luiz Carlos Leal Prestes.

Os depoimentos têm peso importante para o julgamento porque abordam pontos centrais do processo, como a causa da morte, a dinâmica das agressões e o comportamento dos acusados antes e depois do crime.

A Polícia Civil concluiu que Henry apresentava múltiplas lesões corporais e sinais de violência anteriores ao dia da morte. Dessa forma, a acusação sustenta que o menino sofria agressões recorrentes.

O médico-legista deve reforçar o entendimento técnico de que os ferimentos encontrados no corpo da criança não têm relação com queda acidental nem com procedimentos de reanimação realizados no hospital.

Ao mesmo tempo, o perito responsável pelos exames deve afirmar que o conjunto das lesões indica violência física severa.

Já a delegada assistente do caso deve apresentar informações relacionadas aos depoimentos de moradores do condomínio onde o casal vivia. Conforme relatos colhidos durante a investigação, discussões e gritos eram frequentes no apartamento.

Defesa questiona perícias e dinâmica das agressões

A defesa de Jairinho mantém a estratégia de questionar as provas periciais e a dinâmica apresentada pela acusação. Segundo os advogados, a morte pode ter ocorrido em decorrência de acidente doméstico ou possível erro médico durante o atendimento prestado no Hospital Barra D’Or.

Por outro lado, a defesa de Monique Medeiros afirma que ela desconhecia as agressões sofridas pelo filho. Além disso, os advogados alegam que a professora também sofria violência psicológica e manipulação por parte do então companheiro.

Os dois negam participação no crime.

Registro de câmera de segurança mostrando o ex-vereador Jairinho e Monique Medeiros saindo do apartamento com o menino Henry Borel, evidência utilizada no processo judicial.
Câmera de segurança mostra casal deixando apartamento com Henry / Foto: reprodução

Primeiro dia teve pedidos de adiamento

A primeira sessão do júri, realizada na segunda-feira (25), terminou marcada por novas tentativas da defesa de Jairinho de adiar o julgamento.

Os advogados alegaram problemas de saúde de um dos integrantes da banca, que teria sofrido um infarto dias antes da retomada do júri. Durante a sessão, Jairinho chegou a destituir os próprios advogados e afirmou que estava sem defesa adequada.

Depois da discussão no plenário, o ex-vereador voltou atrás e decidiu manter a equipe jurídica. Assim, o julgamento continuou normalmente.

A juíza Elizabeth Machado Louro negou os pedidos de adiamento e criticou as sucessivas tentativas de postergação do processo.

Conselho de Sentença foi definido

O Tribunal definiu o Conselho de Sentença ainda na segunda-feira. O júri popular conta com sete jurados, sendo cinco homens e duas mulheres.

Durante todo o julgamento, os jurados permanecem incomunicáveis. Além disso, eles não podem acessar redes sociais, comentar o caso nem manter contato com testemunhas e envolvidos no processo.

Ao final da sessão, caberá ao grupo decidir pela condenação ou absolvição dos réus.

Relembre o caso

Henry Borel morreu no dia 8 de março de 2021 após chegar ao Hospital Barra D’Or em parada cardiorrespiratória.

Inicialmente, médicos trataram o caso como possível mal súbito. Entretanto, exames identificaram diversas lesões no corpo da criança, o que levou a Polícia Civil a aprofundar as investigações.

A apuração concluiu que Henry sofria agressões antes da morte. Em abril de 2021, a polícia prendeu Jairinho e Monique. Depois disso, o Ministério Público denunciou os dois por homicídio qualificado e tortura.

Segundo a acusação, Jairinho praticava as agressões contra o menino. Já Monique, conforme sustenta o Ministério Público, sabia das violências e não impediu os ataques.


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Autor

  • Luana Gasparetto

    Jornalista e radialista, com experiência em produção de conteúdo multiplataforma, elaboração de pautas, entrevistas e cobertura jornalística, com foco em informação de interesse público, comunicação digital e jornalismo investigativo. É autora do livro-reportagem “Borboletas de Concreto: desvelando as marcas deixadas nos corpos de ex-detentas e suas metamorfoses” e pós-graduanda em Gestão de Rádio e Mídias Audiovisuais.

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