A Justiça de São Paulo decidiu que o fisiculturista Pedro Camilo Garcia Castro, acusado de espancar a então namorada, a médica Samira Mendes Khouri, será submetido a júri popular por tentativa de feminicídio. A decisão foi assinada pela juíza Luiza Torggler Silva e mantém o réu preso preventivamente.
O caso aconteceu em 14 de julho de 2025, aniversário de Samira, em um apartamento localizado na Avenida Pavão, no bairro de Moema, na capital paulista. Segundo a denúncia do Ministério Público (MP-SP), Pedro teria agredido a vítima repetidamente, principalmente na região da cabeça e do rosto, com intenção de matá-la.
De acordo com a denúncia, a discussão que antecedeu as agressões teria começado depois que Pedro viu no celular de Samira uma troca de mensagens com outro homem. O MP classificou o ciúme como “motivo fútil”.
Na decisão de pronúncia, a juíza entendeu que há elementos que justificam a análise, pelo Tribunal do Júri, das qualificadoras apontadas pelo MP-SP. Segundo a decisão, o crime teria sido cometido “mediante meio cruel, com recurso que dificultou a defesa da vítima e por razões da condição de sexo feminino”. A magistrada também entendeu que Pedro teria dado “início à execução de um crime de feminicídio que somente não se consumou por circunstâncias alheias à sua vontade”.
A decisão é da 4ª Vara do Júri da Comarca de São Paulo. O Tribunal de Justiça (TJ-SP) foi procurado pelo VTV News, mas informou que não poderia se manifestar sobre o caso, que tramita sob segredo de justiça.
Agressão e fuga para Santos
Segundo o relato de Samira, o relacionamento entre ela e Pedro durou cerca de dois anos e foi marcado por “ciúmes, críticas e ofensas” por parte do acusado. Na noite das agressões, os dois foram a uma casa noturna, onde o fisiculturista teria sentido ciúmes após ver a namorada interagindo com um amigo gay.
De volta ao apartamento alugado em Moema, Pedro atingiu Samira com um golpe no pescoço, que a fez cair e perder os sentidos. Em seguida, ele teria seguido desferindo socos em sua cabeça e no rosto. A vítima não reagiu por medo de morrer e teve o telefone celular e a chave do carro levados antes de deixar o local.
Após a agressão, ele teria fugido utilizando o veículo da vítima em direção a Santos, no litoral de São Paulo. O carro foi localizado e monitorado pela polícia até a abordagem do fisiculturista na Avenida Presidente Wilson. Segundo o depoimento de uma policial militar, Pedro apresentava lesões nos dedos e em uma das mãos.
Ainda conforme noticiado, as câmeras do condomínio registraram a movimentação do casal durante a madrugada. Os dois deixaram o prédio por volta de 0h06. Samira retornou sozinha às 4h07. Pedro voltou ao apartamento às 4h23 e deixou o local às 4h29, utilizando as escadas e carregando um objeto nas mãos.
Samira foi encontrada inconsciente dentro do apartamento após policiais serem acionados por causa de barulhos de briga e pedidos de socorro. Ela apresentava ferimentos graves e intenso sangramento.
Insanidade
Durante o processo, a defesa de Pedro pediu que ele fosse submetido a um incidente de insanidade mental, procedimento utilizado para verificar se havia comprometimento de sua capacidade de compreender o caráter ilícito dos próprios atos ou de determinar-se de acordo com esse entendimento.
Isso porque Pedro admitiu, por meio da defesa, ter histórico de abuso de substâncias, incluindo anabolizantes e drogas psicotrópicas, bem como um transtorno alimentar grave, marcado pela ingestão desmedida de comida seguida de vômitos no banheiro – o que teria comprometido sua saúde mental na época do crime.
O pedido foi negado em primeira instância e, posteriormente, também pelo TJ-SP. A prisão em flagrante foi convertida em preventiva em 15 de julho de 2025. Desde então, ele está preso.
O que dizem as defesas
O advogado Eugênio Malavasi, que representa o fisiculturista, informou ao VTV News que está avaliando a possibilidade de apresentar recurso contra a decisão.
Já a defesa de Samira, representada pela advogada Gabriela Manssur, afirmou que recebeu a decisão com “alívio e esperança” e que a pronúncia representa o reconhecimento de que existem elementos para que o caso seja analisado pelo Tribunal do Júri. “Acreditem na Justiça, tenham coragem de denunciar”, complementou.

Quem é o fisiculturista que agrediu a namorada em SP?
Pedro Camilo é conhecido no meio esportivo por competir em campeonatos de fisiculturismo – prática de desenvolver os músculos do corpo por meio de treinos intensos e alimentação específica, visando a estética e a competição. Ele participou de pelo menos dois campeonatos de fisiculturismo, onde conquistou prêmios.
Além do fisiculturismo, Pedro também praticava jiu-jítsu. Em uma entrevista publicada pelo Esportelândia em 2023, ele relatou que iniciou sua trajetória esportiva em 2021, após um início difícil no qual chegou a ficar em último lugar em uma competição. Poucos meses depois, ele conseguiu títulos em eventos de menor expressão.
Sem filhos, ele cursava o último semestre da faculdade de Nutrição e conciliava os estudos com o trabalho como vendedor em uma loja de skate em Santos. Além disso, ele dividia a rotina entre os treinos, o trabalho e o curso de Nutrição. Pedro mantinha uma disciplina rígida com a alimentação e o preparo físico, características comuns entre atletas do esporte.
Como denunciar casos de violência contra a mulher
- Disque 190 – Polícia Militar
- Disque 180 – Polícia Militar – Central de Atendimento à Mulher
- Disque 181 – Disk Denúncia
- Delegacias de Defesa da Mulher – https://www.spportodas.sp.gov.br/sp-por-todas/seguranca_mulher/delegacias_da_mulher
- Delegacia Eletrônica da Polícia Civil – delegaciaeletronica.policiacivil.sp.gov.br/ssp
- Atendimento presencial em delegacias da polícia e salas DDM Online – https://prefeitura.sp.gov.br/web/direitos_humanos/w/mulheres/rede_de_atendimento/2096




