Celulares roubados podem passar por diferentes etapas antes de reaparecer no comércio. Uma investigação em São Paulo mostrou como esses aparelhos podem sofrer alterações técnicas para dificultar sua identificação e permitir uma nova tentativa de comercialização.
Como celulares roubados são preparados para a revenda
O processo pode envolver mais de uma etapa. Segundo informações apresentadas pelo Ministério Público de São Paulo, criminosos especializados podem atuar na retirada do vínculo entre o aparelho e a conta do antigo proprietário.
Essa ação pode ocorrer junto com tentativas de contornar bloqueios de ativação. Em alguns casos, os aparelhos também passam por mudanças físicas, como a substituição de componentes importantes.
A Apple explica que o Bloqueio de Ativação impede a reativação de um iPhone sem a autorização da conta vinculada. O recurso continua ativo mesmo após um apagamento remoto.
Senha da tela não é o mesmo que bloqueio de ativação
A senha usada para entrar no celular protege o acesso aos dados armazenados. Já o bloqueio de ativação funciona de outra forma.
Ele mantém a ligação entre o aparelho e a conta do proprietário. Por isso, simplesmente apagar os dados não deveria permitir que outra pessoa assumisse o telefone normalmente.
No Android, o Google também oferece recursos específicos contra roubo. Entre eles estão bloqueios automáticos, proteção contra falhas de autenticação e bloqueio remoto.
O que acontece com o IMEI dos celulares roubados
O IMEI é um número usado para identificar o aparelho nas redes móveis. As operadoras e autoridades podem utilizar essa informação quando um telefone é perdido, furtado ou roubado.
A Anatel explica que aparelhos denunciados podem ter o IMEI incluído no Cadastro de Estações Móveis Impedidas, o CEMI. Com isso, o telefone pode ser impedido de acessar as redes móveis brasileiras.
Por esse motivo, a alteração do identificador aparece como outra etapa possível na preparação de celulares roubados. A mudança pode ocorrer por intervenção em componentes ou por meios técnicos que exploram falhas do equipamento.
O procedimento não corresponde a uma função comum do telefone. Além disso, alterar o IMEI não significa apagar todos os registros relacionados ao aparelho.
Troca de componentes também pode ocorrer
A substituição da placa principal é uma das possibilidades citadas por especialistas. Nesse cenário, o aparelho pode receber uma placa que possui outros identificadores.
Outros componentes continuam fazendo parte do telefone. Assim, uma análise técnica pode encontrar diferenças entre números de série, peças e demais informações associadas ao equipamento.
Essa característica também mostra por que o IMEI não representa sozinho toda a identidade de um celular. Fabricantes, operadoras e sistemas de segurança podem manter outros registros.
Como evitar problemas com celulares roubados
O consumidor pode consultar medidas oficiais depois de um roubo ou furto. O aplicativo Celular Seguro, do Ministério da Justiça e Segurança Pública, permite comunicar a ocorrência e solicitar bloqueios.
O serviço pode bloquear o aparelho, a linha telefônica e aplicativos bancários cadastrados. A comunicação também é enviada às empresas participantes do programa.
A Anatel orienta que o bloqueio do celular seja solicitado após o crime. Em aparelhos com mais de um chip, todos os IMEIs precisam ser considerados no bloqueio.
Dessa forma, celulares roubados podem deixar registros mesmo depois de passarem por alterações. A identificação pode depender da combinação de informações do aparelho, da rede e dos sistemas utilizados por fabricantes e operadoras.




