O presidente Luiz Inácio Lula da Silva sinalizou a aliados que pretende indicar um novo nome ao Supremo Tribunal Federal após o Senado rejeitar a indicação do advogado-geral da União, Jorge Messias. A derrota inédita acendeu alertas no Palácio do Planalto sobre falhas na articulação política e possíveis traições dentro da base governista.
Lula quer manter indicação ao STF
Durante reunião com ministros e aliados no Palácio da Alvorada, Lula afirmou que não pretende abrir mão da prerrogativa presidencial de indicar um ministro para o STF.
Segundo relatos de integrantes do governo, o presidente avalia apresentar um novo nome nas próximas semanas, embora sem pressa imediata. Jorge Messias participou do encontro realizado após a votação no Senado.
A rejeição marcou um episódio raro na história política brasileira. Lula se tornou o primeiro presidente da República em mais de 130 anos a ter um indicado barrado pelo Senado para uma vaga no Supremo.
Senado rejeitou indicação de Jorge Messias
O advogado-geral da União recebeu 34 votos favoráveis, número abaixo do mínimo necessário para aprovação. Ao todo, 42 senadores votaram contra a indicação.
A derrota ocorreu mesmo após a aprovação de Messias na Comissão de Constituição e Justiça, onde ele passou por uma sabatina que durou mais de oito horas.
Nos bastidores, integrantes do governo afirmam que o resultado expôs fragilidade na articulação política do Planalto dentro do Congresso Nacional.
Planalto aponta falhas e traições
Aliados do presidente avaliaram que houve falhas na condução política da votação e afirmaram que parte da base governista não entregou os votos esperados.
Segundo relatos, articuladores tentaram adiar a análise no plenário quando perceberam risco de derrota. No entanto, o presidente do Senado, Davi Alcolumbre, manteve a votação.
O nome de Rodrigo Pacheco também surgiu nas discussões internas do governo. Interlocutores afirmam que o senador mineiro teria votado contra a indicação de Messias.

Relação com Congresso fica mais tensa
A derrota ampliou o desgaste entre o Palácio do Planalto e lideranças do Congresso Nacional. Nos bastidores, aliados do governo apontam Davi Alcolumbre como principal articulador da rejeição.
Parlamentares governistas também relacionam o resultado ao cenário de disputa política antecipada para as eleições presidenciais.
Além disso, integrantes da base avaliam que a crise pode dificultar futuras votações de interesse do Executivo no Senado.
Especialistas avaliam próximos passos
Analistas políticos avaliam que Lula deve agir com cautela na escolha do próximo nome para evitar novo desgaste no Congresso.
Ao mesmo tempo, especialistas apontam que o governo ainda depende da articulação com lideranças do Senado para avançar com pautas econômicas e institucionais consideradas prioritárias.
A indicação de ministros do Supremo Tribunal Federal é feita pelo presidente da República e precisa ser aprovada pelo Senado Federal por maioria absoluta. O STF é composto por 11 ministros e atua como a mais alta Corte do Judiciário brasileiro.