A discussão sobre o fim da escala 6×1 no Congresso Nacional ganhou novos desdobramentos após a deputada federal Erika Hilton afirmar que uma proposta apresentada por parlamentares da direita pode adiar a mudança no regime trabalhista até 2036. Segundo ela, o texto também prevê a possibilidade de jornadas de até 52 horas semanais.
As declarações foram feitas pela parlamentar em publicação nas redes sociais nesta terça-feira (19), em meio ao avanço das negociações sobre a redução da jornada de trabalho no país.
Deputada aponta articulação e lista de assinaturas
De acordo com Erika Hilton, um grupo de 176 deputados teria assinado a proposta, com destaque para integrantes do Partido Liberal (PL). Ela afirma ainda que a medida impediria a implementação do fim da escala 6×1 por cerca de uma década.
A parlamentar também sustenta que a iniciativa inclui a possibilidade de ampliação da jornada semanal para até 52 horas, ponto que tem gerado forte reação no debate público.
Entre os nomes citados em discussões políticas relacionadas ao tema estão o senador Flávio Bolsonaro, o deputado Nikolas Ferreira e o presidente do PL, Valdemar Costa Neto, em meio à articulação de diferentes frentes dentro do Congresso.
A publicação da deputada federal Erika Hilton também gerou ampla repercussão nas redes sociais, com manifestações de indignação de nomes conhecidos do meio artístico e da televisão. Entre os comentários feitos na postagem, destacaram-se posicionamentos de Xuxa Meneghel, Astrid Fontenelle e Mariana Xavier, além de outros artistas e personalidades que demonstraram preocupação com o conteúdo da proposta e com possíveis impactos nas condições de trabalho no país.

Debate sobre jornada de trabalho segue dividido
A proposta surge em meio a negociações em andamento no Legislativo sobre mudanças na jornada de trabalho. Em paralelo às discussões sobre o fim da escala 6×1, lideranças da Câmara e representantes do governo já vinham debatendo alternativas que incluem redução da carga semanal e adoção de novos modelos de escala.
Há também movimentações para dividir a pauta em dois instrumentos legislativos: uma Proposta de Emenda à Constituição (PEC), voltada às mudanças estruturais, e um projeto de lei complementar para regulamentações específicas.
Tramitação e disputa política no Congresso
O tema tem sido alvo de divergências entre diferentes blocos parlamentares. Enquanto parte das lideranças defende a redução da jornada sem perda salarial, outras propostas incluem períodos de transição mais longos e flexibilizações nas regras trabalhistas.
A deputada Erika Hilton afirma que há tentativa de travar ou retardar a implementação da mudança, enquanto setores do Congresso sustentam que ajustes são necessários para adaptação de diferentes segmentos econômicos.
Em debates recentes, o deputado Marco Feliciano já se posicionou publicamente em defesa de flexibilizações na jornada, segundo registros de discussões anteriores na Câmara.