As quebras dos sigilos bancário e fiscal de Fábio Luís Lula da Silva, o Lulinha, foram autorizadas no âmbito de um inquérito da Polícia Federal que apura fraudes no INSS. Segundo a PF, uma organização criminosa promovia descontos ilegais nos pagamentos de aposentados e pensionistas para fins de enriquecimento ilícito.
Repasse de R$ 300 mil
O filho do presidente Lula é citado no relatório da PF em ao menos quatro pontos. O principal deles refere-se a um suposto pagamento de R$ 300 mil realizado por Antônio Carlos Camilo Antunes, conhecido como “Careca do INSS”. Em mensagens interceptadas, “Careca” afirma que o montante deveria ser destinado ao “filho do rapaz“, expressão que, segundo os investigadores, era utilizada para ocultar o verdadeiro destinatário.
As informações constam em relatório enviado em dezembro ao Supremo Tribunal Federal (STF). Um interlocutor de Antunes comprovou o repasse do valor para a empresa RL Consultoria e Intermediações LTDA. A PF sustenta que a companhia funcionaria como fachada, uma vez que não houve prestação real de serviços que justificasse o pagamento.
Movimentações milionárias
Relatórios de Inteligência Financeira (RIFs) indicam que a RL Consultoria recebeu um total de R$ 18,27 milhões, sendo parte relevante transferida por empresas ligadas diretamente ao “Careca do INSS”. A decisão judicial informa que a empresa tem como sócios Roberta Moreira Luchsinger, amiga de Lulinha, e o pai dela.
Em nota, a defesa de Lulinha afirmou que o cliente está à disposição para colaborar voluntariamente com as investigações. Até o momento, os advogados não se manifestaram especificamente sobre a decisão de quebra de sigilo.