O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, declarou nesta quarta-feira (8) que o acordo de paz EUA Irã “acabou”. A afirmação surge logo após uma nova e intensa troca de bombardeios entre as forças norte-americanas e iranianas, o que eleva drasticamente o temor de uma retomada ampla da guerra no Oriente Médio.
Trump, que participa de uma cúpula da Otan na Turquia, descartou a continuidade das negociações com Teerã. Durante uma coletiva de imprensa em Ancara, o presidente afirmou: “Para mim, acho que o acordo acabou. Eu não quero mais lidar com eles”.
A escalada da crise e o rompimento do cessar-fogo
A crise intensificou-se imediatamente após ataques contra três navios comerciais que transitavam pelo Estreito de Ormuz. Como resposta, os Estados Unidos bombardearam mais de 80 alvos iranianos, entre eles sistemas de defesa aérea, redes de comando e controle e capacidades de mísseis.
O governo do Irã classificou a operação norte-americana como uma “clara violação” do memorando assinado em junho. Portanto, em represália, as forças iranianas lançaram ataques contra bases militares dos EUA localizadas no Bahrein e no Kuwait na madrugada desta quarta-feira. Embora o cenário seja de tensão, o governo iraniano ainda não emitiu uma declaração pública formal sobre a fala de Trump.
Estreito de Ormuz volta a preocupar o mercado global
A deterioração das relações entre Washington e Teerã coloca novamente o Estreito de Ormuz — via estratégica para o comércio global de petróleo e gás — no centro das preocupações geopolíticas. Dados de navegação indicam que ao menos quatro navios-tanque abandonaram a rota nas últimas horas por precaução.
Consequentemente, o impacto nos mercados financeiros foi imediato:
- Petróleo: O preço do Brent disparou 5,7%, atingindo cerca de US$ 78,41 por barril.
- Bolsas: Os futuros do S&P 500 registraram queda de 0,8%, enquanto o índice sul-coreano Kospi recuou 5,4%.
- Títulos: Os rendimentos dos títulos britânicos de 10 anos subiram 10 pontos-base, o maior patamar em quase um mês.
Reações internacionais e riscos futuros
Líderes globais monitoram de perto a situação. O secretário-geral da Otan, Mark Rutte, defendeu a resposta militar dos EUA, classificando-a como “necessária”. Por outro lado, a chefe de política externa da União Europeia, Kaja Kallas, advertiu que a nova troca de ataques torna as negociações de paz ainda mais complexas e condenou as ofensivas iranianas contra o Bahrein e o Kuwait.
Embora a fala de Trump não formalize diplomaticamente o fim do memorando, especialistas apontam que o cessar-fogo vive o momento mais crítico desde a assinatura do documento. Dessa forma, os próximos dias devem indicar se Washington formalizará o rompimento ou se Teerã iniciará novas retaliações.