Ao completar 30 anos, na última segunda-feira, as mortes dos integrantes dos Mamonas Assassinas virou assunto bem comentado nas redes sociais. Isso porque as famílias dos músicos inauguraram um memorial no Cemitério Primaveras, em Guarulhos (SP), local onde a banda começou.
Porém alguns detalhes do resgate deles vieram à tona, após o coronel do Corpo de Bombeiros, Jefferson de Melo, responsável pelo comando do acidente no local, relatar alguns detalhes durante uma entrevista ao TikTal Podcast, apresentado por Rui Dias.
“Essa ocorrência tem uma particularidade muito grande. Primeiro, que na época a gente nem tinha celular, usava o famoso bip. Pra ajudar, foi no sábado à noite. Veio a demanda que a população achava que tinha caído um avião e o quartel foi acionado. Ninguém tinha certeza de nada e não sabia que era o avião dos Mamonas”, começou ele.
Logo a notícia de que realmente era o avião dos Mamonas chegou à imprensa e a apreensão foi maior. “A gente foi seguindo o trajeto dos estragos que o avião fez. Você via um pedaço de avião em cima de árvore, aqui e ali, e descendo o morro até que encontramos os primeiros corpos, que eram o piloto e o copiloto”, disse.


Fotos: Reprodução Instagram
“O resgate dos corpos”
O coronel detalhou que conforme eles iam andando, iam pegando os integrantes e colocando todos num único local. Mesmo acostumados com a situação, ele disse que não foi uma coisa agradável de se ver. “Eram famosos, tivemos que fazer um isolamento grande”, comentou.
Já quanto ao estado dos corpos, ele disse que estavam bem lesionados e que não dava para identificar quem realmente eram. Os menos lesionados foram o piloto e o copiloto, praticamente, eram os únicos que estavam inteiros.
Uma das vítimas demorou para ser encontrada, mas após um tempo, o militar recebeu a informação sobre um novo corpo localizado: “E chegou um senhor em mim e falou ‘eu vi, há uns 200 metros daqui, um braço’. Falei ‘senhor, não comenta com ninguém, vou chamar mais uns bombeiros aqui e vamos pra lá’. Chamei uns três bombeiros, ele saiu e nós saímos atrás”, relatou.
Durante as buscas, segundo ele, acharam parte de um dos músicos: “Quando chegamos lá, vi o braço e a vegetação cobrindo na altura do ombro. Então, dava a impressão que seria só o braço. Quando fui puxar, achando que era uma coisa mais leve, vi que não era só o braço. Era o corpo todo. E ali achamos o último”, declarou.
Por fim, a identidade do último corpo foi revelada: “Ele tinha o tronco e um braço só, não tinha os outros membros e tava de bermuda. Aí, um parente falou que era o vocalista [Dinho]. Ele foi reconhecido por um tio, que foi com a gente lá. As equipes continuaram e acredito que os outros fragmentos [do corpo] foram encontrados”, encerrou.