O padre Fábio de Melo usou as redes sociais nesta segunda-feira (15) para refletir sobre as críticas que recebe constantemente em relação ao seu sacerdócio.
Em publicação, ele lembrou o momento em que decidiu se tornar padre e falou sobre as críticas que ainda enfrenta:
“Um dia, contrariando todos os palpites dos que me viram crescer, tornei-me padre. Muitos continuam acreditando que eu não sirvo para o cargo. Pedem minha expulsão, dizem que sou uma vergonha para a Igreja.”
O religioso destacou que Jesus sempre escolheu pessoas imperfeitas para segui-lo e comentou sobre o moralismo presente em algumas críticas:
“Eu compreendo. Eu também sou vítima do moralismo que cega, dificulta voltar no tempo e encarar o fato de que o RH de Jesus foi o pior da história. Só escolheu gente estranha, esquisita. Os perfeitos também eram bem-vindos, mas não sobreviviam, pois o consideravam louco.”
Ao encerrar a postagem, Fábio de Melo reforçou seu compromisso com o acolhimento:
“Há 24 anos, mesmo sendo um homem cheio de imperfeições, venho acolhendo os que passam pela minha vida. De maneira especial, os que não se sentem convidados, os que não entram pela porta da frente. Só sendo assim é que posso desfrutar de alguma coerência. Se em algum momento de nossas vidas o meu ministério sacerdotal fez sentido para você, obrigado pela confiança. Já valeu ter sido quem eu fui.”
Polêmica e denúncia
O padre foi denunciado à Congregação para a Doutrina da Fé, no Vaticano, em razão de um episódio ocorrido em uma cafeteria Havanna, em Joinville (SC), que resultou na demissão do gerente do local. Segundo o colunista Ricardo Feltrin, a denúncia partiu de um bispo catarinense, que considerou a conduta de Fábio de Melo como estando “fora das doutrinas da Igreja Católica”. Apesar de não prever punições severas, o registro pode impactar sua trajetória na instituição.
O episódio aconteceu em maio, quando o padre comentou nas redes sociais sobre uma situação envolvendo funcionários da cafeteria. Na época, ele afirmou ter tentado resolver um problema e apontou má conduta do gerente, que teria sido arrogante no atendimento.
O ex-funcionário contestou a versão em entrevista ao programa Tá na Hora, do SBT, em 29 de maio:
“Eu queria que ele explicasse por que fez isso comigo. Porque, como é visto nas câmeras de segurança, em momento algum eu falo com ele. Na verdade, quem questiona sobre esse doce de leite nem é o padre, é um cara bombadinho, bem fortinho, de regatinha vermelha. Ninguém chamou o padre. Não falei com ele nem ele falou comigo.”
Em nota ao programa, Fábio de Melo defendeu sua postura:
“Nunca, em tempo algum, levantei minha voz ou minha ação com intuito de ferir ou prejudicar quem quer que fosse. Não carrego em mim a intenção da maldade, tampouco alimento o desejo de vingança ou revide.”