Mila Seidl, viúva do especialista em aviação Lito Sousa, relatou como foram os últimos momentos do marido, que faleceu em decorrência de complicações da Doença de Creutzfeldt-Jakob (DCJ).
Em entrevista ao podcast Inteligência Ltda., Mila explicou que o criador do canal Aviões e Músicas morreu de pneumonia. Diagnosticado com DCJ em agosto deste ano, o caso ilustra o que, segundo ela, é comum no quadro clínico: os pacientes costumam falecer por infecções e complicações secundárias.
“Normalmente, as pessoas não falecem da DCJ em si, mas de complicações”, afirmou.
Durante a conversa, Mila descreveu o avanço rápido dos sintomas nos últimos dias do marido, relatando que ele já não conseguia movimentar as pernas nem os braços.
Com o tempo, perdeu também a sustentação do tronco, deixando de conseguir permanecer sentado.
Consciente da gravidade do quadro, Lito deixou registradas por escrito suas vontades e os detalhes de como desejava sua despedida:
“Ele colocou o médico dele como responsável por tomar as decisões, e não eu. Ele me conhecia e sabia que eu iria com ele até o fim. Eu já estava pronta para acompanhá-lo na cadeira de rodas, fosse como fosse”.
Ainda na conversa, Mila disse que ficou ao lado do esposo durante todo o momento, mas que no final, não conseguiu ver o amado partir.
“Eu não dei conta de ficar. Eu fiquei o tempo inteiro, mas no final, não consegui”.

Doença de Creutzfeldt-Jakob (DCJ)
Lito deu entrada em um hospital de São Paulo no mês de julho, após apresentar dormência no braço esquerdo e perda progressiva dos movimentos. O quadro inicial — que surgiu pouco tempo depois do diagnóstico de um câncer de próstata — levantou a suspeita de uma inflamação no sistema nervoso central, possivelmente de origem autoimune.
Após a primeira internação, o influenciador chegou a receber alta, mas precisou ser novamente hospitalizado devido ao avanço dos sintomas. A DCJ só foi confirmada posteriormente.
O diagnóstico de Lito foi anunciado publicamente em 21 de agosto. Entre a divulgação da notícia e o falecimento do comunicador, decorreram 41 dias.
Nesse intervalo, em setembro, ele obteve autorização excepcional da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) para utilizar um medicamento experimental.
A substância ALN-6457 havia sido testada previamente apenas em animais, tornando o especialista a primeira pessoa a receber a terapia.
A morte de Lito foi comunicada por Mila por meio das redes sociais no dia 1º de outubro. Na homenagem de despedida ao marido, ela escreveu o bordão que marcou a trajetória dele: “Um grande abraço e até o próximo voo”.


