A Globo anunciou nesta segunda-feira (1º) uma das mudanças mais emblemáticas de sua história recente: William Bonner deixará a bancada do Jornal Nacional após 29 anos ininterruptos como âncora. O posto será ocupado por César Tralli, que atualmente apresenta o Jornal Hoje e a Edição das 18h na GloboNews. A mudança ocorre justamente na data em que o telejornal completa 56 anos.
Bonner seguirá como editor-chefe do jornal eletrônico, mas encerra uma trajetória que o consolidou como o rosto mais longevo da história do JN — superando até Cid Moreira, que apresentou o telejornal de 1969 a 1996. “Foi acontecendo que, lentamente, o meu período no JN até 2022 fez com que eu me tornasse o apresentador com maior tempo de titularidade”, afirmou o jornalista em vídeo publicado nas redes sociais.
Nova configuração dos telejornais
Com a promoção de Tralli, a Globo também anunciou ajustes em outras faixas jornalísticas da emissora. Roberto Kovalick foi convidado para assumir o comando do Jornal Hoje, enquanto Tiago Scheuer passará a apresentar o Hora Um, responsável por abrir a grade diária de notícias da emissora.
A reformulação marca o fim de uma era. Bonner estreou no Jornal Nacional em 1º de abril de 1996, ao lado de Lillian Witte Fibe, e desde então manteve-se na bancada. A partir de 1999, acumulou a função de editor-chefe, posto que continua a ocupar.

Da Band ao topo da Globo
A carreira de Bonner na televisão teve início na TV Bandeirantes em 1985, mas foi na Globo que ganhou projeção nacional. Chegou à emissora em 1986 e rapidamente se destacou à frente do SPTV, do Jornal Hoje e do Fantástico, até ser escolhido, em 1996, para assumir o principal telejornal do país.
O jornalista, que optou por abreviar o sobrenome Bonemer para evitar confusões com o pai — um médico conhecido em São Paulo —, consolidou sua imagem como comunicador sóbrio e de credibilidade.
Coberturas históricas e transformações no JN
À frente do JN, Bonner participou de coberturas marcantes, como os ataques de 11 de setembro, a tragédia da boate Kiss, o acidente da TAM, a eleição de Barack Obama e a morte do Papa João Paulo II. Em sua gestão como editor-chefe, o telejornal recebeu um Emmy Internacional pela cobertura da ocupação do Complexo do Alemão.
Nos últimos anos, foi responsável por uma série de transformações estéticas e tecnológicas no noticiário, incluindo o uso de steadicam e novos cenários. Durante a pandemia de Covid-19, exerceu papel central na transmissão de informações de interesse público, enfrentando ondas de desinformação.
Mais recentemente, passou a apresentar o JN fora do estúdio, como nas enchentes do Rio Grande do Sul, na eleição presidencial dos EUA, nos 60 anos da Globo e no Conclave que escolheu o Papa Leão XIV.
Salário milionário?
Bonner figura entre os maiores salários do jornalismo brasileiro. Segundo apuração de bastidores, recebe cerca de R$ 1 milhão mensais. A informação, no entanto, nunca foi oficialmente confirmada pela emissora.