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Fotógrafo transforma revolta contra ameaças de estupro em projeto viral

Ensaio fotográfico com crítica à violência repercute nas redes e ultrapassa 10 mil interações

As mensagens de ameaça de estupro atribuídas ao estudante Yuri Cassano, de 20 anos, provocaram forte repercussão nas redes sociais e levaram influenciadores e criadores de conteúdo a se posicionarem sobre o caso. Entre eles está o fotógrafo Mateus Nascimento, de 21 anos, morador de São Vicente, no litoral de São Paulo.

Uma reflexão publicada por ele no último dia 28, reunindo fotografias e um texto autoral sobre o ocorrido, ganhou grande repercussão nas redes sociais. O conteúdo chama atenção pela estética e pela crítica direta à violência, e já soma mais de 10 mil interações, além de centenas de milhares de visualizações (veja abaixo).

“Não deixem essa história cair no esquecimento. Homens, principalmente, para provar que esse lixo é minoria e não representa o que é ser homem na sociedade”, escreveu. Segundo o fotógrafo, a publicação surgiu como forma de manifestar indignação e reforçar que ameaças de violência, especialmente contra mulheres, não devem ser tratadas com naturalidade.

No Face Just Paths

Ao VTV News, o jovem afirmou que o posicionamento foi publicado por meio do projeto No Face Just Paths (em português, “Sem rosto, apenas caminhos”), criado para compartilhar reflexões por meio da fotografia. Segundo ele, a proposta é usar a arte como ferramenta para provocar debate nas redes sociais.

“Fiquei muito indignado quando vi o que tinha sido dito. Achei que precisava falar alguma coisa”, disse. De acordo com o fotógrafo, a publicação faz parte de uma proposta maior do projeto, que busca abordar temas sociais por meio de imagens e textos autorais. O conteúdo reúne fotografias uma reflexão escrita.

Um dos trabalhos recentes da iniciativa surgiu a partir da convivência com a trancista Patrícia Xavier, de Santos. “Todo mundo elogia quem usa a trança, mas pouca gente fala sobre quem cria aquilo”, afirmou Matheus. O projeto também conta com o videomaker Luis Gustavo Gomes Fermiano, os escritores Pablo Rodrigo Ferreira Batista e Diogo Ribeiro e a designer Giovanna Teixeira dos Santos, responsável pela identidade visual.

Fotógrafo usa arte e redes sociais para provocar debate sobre violência contra mulheres – Fotos: @djamendoim013 e @gxmz_guuh, no Instagram

O caminho até a fotografia

A trajetória de Mateus na fotografia começou de forma inesperada. Antes de se dedicar à produção audiovisual, ele trabalhava em uma editora de arte responsável por produzir materiais ligados às artes marciais. Foi nesse ambiente que teve os primeiros contatos com equipamentos e profissionais da área, despertando interesse pelo universo da imagem.

Ao mesmo tempo, ele já estava inserido em diferentes expressões da cultura urbana. Ciclista, grafiteiro e frequentador de coletivos culturais, Mateus buscava formas de divulgar os próprios trabalhos artísticos. A ideia inicial era contratar um fotógrafo para registrar seus grafites, mas o valor cobrado acabou mudando seus planos.

“Quando vi quanto custaria, comecei a analisar o perfil do fotógrafo e pensei: eu consigo aprender isso”, lembrou. A partir daí, passou a estudar fotografia com orientação de colegas da editora. Em cerca de um ano, a prática virou profissão e ele já registrava eventos culturais da região, como o Black Charme Ice e festivais de música.

‘Se ela não quiser transar, eu estupro’: ameaças revoltam universitários em SP – Foto: arquivo pessoal

Entenda o caso

A polêmica começou após a divulgação de mensagens atribuídas ao então calouro de Educação Física da Universidade Santa Cecília (Unisanta). Prints compartilhados nas redes sociais mostram conversas em que ele cogita agredir e estuprar uma colega após se sentir rejeitado. O conteúdo rapidamente gerou indignação.

Segundo relato da jovem à reportagem da VTV SBT, os dois se conheceram durante um evento de Carnaval no último dia 16. Após uma dinâmica em que Yuri deveria escolher alguém para beijar, eles trocaram contatos e passaram a conversar. Com o tempo, a universitária perdeu o interesse, mas ele não teria aceitado.

As mensagens com ameaças teriam sido enviadas em um grupo de WhatsApp com outros oito estudantes no dia 27. No trecho, o jovem faz comentários violentos e ofensivos. Um dos participantes do grupo denunciou o caso à coordenação do curso, que encaminhou o material à direção da universidade. A jovem e a mãe também registraram boletim de ocorrência (BO).

Após a repercussão, Yuri foi suspenso preventivamente e, posteriormente, desligado da universidade. A Polícia Civil instaurou um inquérito para investigar o caso, inicialmente tratado como ameaça. Em nota enviada por meio da defesa, o estudante pediu desculpas, disse estar arrependido e afirmou ter deixado a Baixada Santista após ele e a família receberem ameaças.

Como denunciar casos de violência contra a mulher


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Autor

  • Renan da Paz

    Jornalista com três anos de experiência em comunicação multiplataforma, com atuação em televisão (apresentação, reportagem, produção, direção, roteirização e edição), assessoria de imprensa e produção de conteúdo para redes sociais. Atualmente, é produtor na VTV SBT e repórter web do VTV News.

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