Indicação visual de conteúdo ao vivo no site
Indicação visual de conteúdo ao vivo

Universidade expulsa aluno após ameaças de estupro contra colega em Santos

Instituição afirmou, em nota, que comportamento é incompatível com valores e princípios institucionais

A Universidade Santa Cecília (Unisanta) expulsou o aluno calouro apontado como autor de ameaças de estupro contra uma colega, em Santos, no litoral de São Paulo, após intimação formal e suspensão preventiva. O caso ganhou grande repercussão desde a última sexta-feira (27), quando as mensagens foram expostas nas redes sociais.

O estudante, de 20 anos, cursava Educação Física no período da manhã. Em capturas de tela obtidas pela reportagem, ele aparece insinuando que forçaria uma relação sexual após acreditar ter sido rejeitado pela vítima. Em seguida, tenta minimizar o conteúdo, alegando que tudo não passou de “brincadeira”.

Em nota ao VTV News, a universidade informou que o “jovem em questão não integra mais o quadro de alunos” e reiterou que trata casos de violência com máxima seriedade. Além disso, a instituição declarou que repudia veementemente qualquer conduta que viole a dignidade da comunidade acadêmica (entenda a seguir).

O que aconteceu?

A vítima, que não será identificada, conversou com o repórter Pietro Falbuon, da VTV SBT, e contou que conheceu o investigado durante um evento de Carnaval, no último dia 16. Após uma brincadeira em que o jovem precisava escolher alguém para beijar, os dois trocaram contatos e passaram a conversar.

Com o tempo, no entanto, a universitária disse que perdeu o interesse nas investidas, mas o rapaz não teria aceitado o afastamento. Ao sentir que estava sendo ignorado, passou a fazer comentários ofensivos direcionados à jovem, na quinta (26). Parte das mensagens veio a público nas redes sociais.

A jovem também passou a ser atacada poucas horas depois de ter sido chamada de “especial”, apesar do pouco tempo de conversa. “Nem sei por que peguei você. Você parece um chupa-cabra de tão feia. Mas o bom é que seu prédio só tem gostosa”, escreveu. Após a divulgação das mensagens, a estudante decidiu expor o caso.

Captura de tela de mensagens onde calouro divulga número da vítima e incentiva ataques em grupo de amigos.
Entenda: Após se sentir ignorado, jovem divulgou o número de telefone da vítima em um grupo com amigos e incentivou ataques contra ela e familiares. Depois da repercussão, pediu desculpas.

Novos prints

Nos novos registros, o jovem questiona “por que os caras estão contra ele” após a exposição das mensagens e afirma que “a mina chapou”, sugerindo exagero por parte da vítima. O amigo diz que ele está errado, mas o estudante insiste e envia um trecho da conversa com a jovem, perguntando: “Você acha que ela não falou de mim?”.

Em outro momento, ele afirma que, ao mencionar “puxar o cabelo”, se referia a manter relação sexual, e não a agredi-la, mas sustenta que estaria “brincando” e que não foi o único a comentar no grupo (leia abaixo).

Print de conversa com ameaças de violência física e ofensas verbais enviadas pelo calouro contra a vítima.
Nas conversas, o calouro sugeriu “puxar o cabelo da vítima até arrancar os fios” e pediu a um amigo que enviasse a ela uma foto do próprio órgão genital. “Mede pra mim agora, sua put*. Se não medir, faço a sua mãe medir”.
Mensagens de texto detalhando ameaça de estupro e agressão física planejada para festa universitária pelo calouro.
O calouro também sugeriu estuprar a vítima caso ela se recusasse a ter relações sexuais com ele e mencionou a possibilidade de agredi-la durante uma festa universitária, realizada na última sexta-feira.
Captura de tela onde o autor classifica ameaças como zoação e tenta justificar comportamento ofensivo em grupo.
O calouro procurou um amigo para questionar o motivo de ter sido removido do grupo de mensagens. Na conversa, classificou as falas como “zoação” e alegou que a vítima também o teria ofendido – versão que não foi comprovada.
Mensagens onde o jovem admite intenção de manter relação sexual sem consentimento, apesar de negar agressão.
O jovem afirmou, em um primeiro momento, que não havia errado com a vítima, mas posteriormente reconheceu a gravidade das mensagens enviadas.
Mensagens onde o jovem admite intenção de manter relação sexual sem consentimento, apesar de negar agressão.
O jovem ainda afirmou que nunca teve a intenção de agredir a vítima, mas declarou que se referia a manter relação sexual com ela mesmo sem consentimento.
Captura de tela de conversa onde o calouro nega responsabilidade exclusiva e divide culpa por mensagens ofensivas.
Por fim, ele não admitiu ser o único responsável pelo ocorrido e afirmou que não deveria ser apontado como o único errado na situação.

De onde partiu a denúncia?

Conforme apurado pelo VTV News, a iniciativa de denunciar partiu de um aluno integrante do grupo de aplicativo de mensagens onde as ameaças foram feitas. O jovem, que também é calouro, fez capturas de tela da conversa e encaminhou o material à coordenação do curso, ainda na noite da última quinta-feira (27).

Líviah Silva, mãe do estudante que denunciou, afirmou que o filho não acompanhava a conversa no momento em que as mensagens foram enviadas, pois estava dormindo. “Eles tinham combinado de assistir a um jogo na faculdade. Quando chegou lá, os amigos contaram o que tinha sido escrito no grupo”, relatou.

Na manhã seguinte, depois de retornar da aula, o jovem contou à mãe o que havia acontecido. “No primeiro minuto em que recebeu [os prints], a universidade começou a tomar providências”, disse. Apesar de afirmar que sente orgulho da atitude do filho, Líviah admite estar apreensiva. “A gente não sabe com quem está lidando”.

Ela também comentou o caso nas redes sociais, após ver críticas generalizadas aos integrantes do grupo. “Disseram que os meninos estavam compactuando. Não estavam. Só um respondia ele”, afirmou. Segundo a psicóloga, o sentimento é de orgulho, mas também de preocupação com possíveis consequências.

Pedido de desculpas

Após a repercussão, o estudante de Educação Física, de 20 anos, publicou um vídeo nas redes sociais, admitindo ter tido uma “atitude horrível”. No posicionamento, ele classificou o comportamento como “coisa de moleque” e afirmou estar arrependido. Também disse que pediu desculpas à colega e a outros alunos da faculdade.

“Quem me conhece sabe que eu nunca fui assim, nunca tratei ninguém dessa forma. Eu não tenho o que dizer, eu errei muito e já me retratei, mesmo que indiretamente, mas queria deixar claro que estou arrependido”.

O VTV News ainda entrou em contato com o jovem nesta segunda-feira (2) e aguarda posição da defesa.

Início à investigação

Segundo a Secretaria de Segurança Pública (SSP-SP), a Delegacia de Defesa da Mulher de Santos (DDM) já iniciou as investigações. A delegada Déborah Lázaro, responsável pela unidade, informou que a Polícia Civil irá formalizar o boletim de ocorrência e, em seguida, ouvir a vítima e o suspeito para esclarecer as circunstâncias.

Já a vereadora santista Débora Camilo (PSOL), que atua na defesa dos direitos das mulheres e no combate à violência de gênero, afirmou à reportagem que está prestando apoio à vítima.

Para a parlamentar, o caso evidencia um problema estrutural. “Isso ocorreu dentro de um grupo, então a pessoa se sentiu à vontade para externar o que pretendia fazer. Foi uma mensagem, mas poderia ter acontecido algo pior”, declarou. Ela defende a ampliação do debate sobre machismo e violência de gênero nas universidades.

O que diz a universidade?

Inicialmente, no domingo (1º), a universidade informou, em nota, que havia instaurado um procedimento interno para apurar os fatos. Na ocasião, o aluno foi formalmente impedido de frequentar as dependências da instituição e de participar de qualquer atividade acadêmica enquanto as investigações estavam em andamento.

Já na tarde desta segunda-feira (2), a instituição confirmou, com apoio da associação atlética do curso, a expulsão definitiva do estudante. Leia a nota na íntegra abaixo:

“Em relação ao caso envolvendo prints de mensagens de WhatsApp, informamos que, após intimação formal da universidade e suspensão preventiva, o jovem em questão não integra mais o quadro de alunos da Instituição.

A Universidade trata todo e qualquer caso de violência com a máxima seriedade, repudia veementemente condutas que representem desrespeito ou violação à dignidade da comunidade acadêmica e reforça que não compactua com comportamentos incompatíveis com seus valores e princípios institucionais”.

Antes da decisão, outros universitários se mobilizaram e criaram um abaixo-assinado pedindo a expulsão do estudante da instituição. A iniciativa reuniu mais de 1.800 assinaturas.

Como denunciar casos de violência contra a mulher


Continua após a publicidade

Autor

  • Renan da Paz

    Jornalista com três anos de experiência em comunicação multiplataforma, com atuação em televisão (apresentação, reportagem, produção, direção, roteirização e edição), assessoria de imprensa e produção de conteúdo para redes sociais. Atualmente, é produtor na VTV SBT e repórter web do VTV News.

VEJA TAMBÉM

Oscar 2026

Oscar 2026: veja os indicados, horários e onde assistir à premiação

paredão-bbb-26-15.03

BBB 26: Saiba quem está no nono Paredão do programa, neste domingo (15)

feminicídio-hortolândia-gcm

Homem mata companheira em Hortolândia, foge e capota carro em rodovia

lázaro-ramos-oscar-2026

Lázaro Ramos diverte fãs durante imigração nos EUA: ‘Vim para o Oscar’

Gostaria de receber as informações da região no seu e-mail?

Preencha seus dados para receber toda sexta-feira de manhã o resumo de notícias.