O padrasto do bebê de 11 meses que morreu em Praia Grande, no litoral de São Paulo, afirmou que os ferimentos na cabeça da criança podem ter acontecido depois que ela “se debateu” dentro do carrinho. A declaração foi dada à reportagem da VTV SBT enquanto ele e a mãe do menino estavam na delegacia.
Conforme noticiado anteriormente, a criança deu entrada no Pronto Socorro (PS) Central da cidade, na noite de segunda-feira (9), em parada cardíaca e com sinais de trauma no rosto. Mesmo com as tentativas de reanimação da equipe médica, o bebê não resistiu. Diante da gravidade, o hospital acionou a Polícia Militar.
A mãe do menino, Thais Daniel Costa, de 30 anos, e o companheiro dela, Marcelo Pereira de Oliveira, de 38, foram presos pouco tempo depois. Segundo o boletim de ocorrência (BO), há indícios de que o bebê também tenha recebido várias doses de um medicamento de uso adulto antes de ser levado ao hospital.

Casal fala após prisão
O casal foi preso em flagrante ainda na noite do crime, após levar o bebê desfalecido à unidade de saúde. Conforme o registro, os dois fugiram do hospital após o atendimento, mas foram localizados pouco depois por PMs em patrulhamento. Eles foram encontrados em casa, na Rua Jorge Tavares Quintas, no bairro Glória.
Ao sair da unidade policial para fazer exames no Instituto Médico Legal (IML), na manhã seguinte, o casal foi questionado pelo repórter Pietro Falbuon sobre o que teria acontecido com o bebê. Durante a conversa, os dois negaram agressões e deram suas versões sobre os momentos antes da morte da criança.
- Thais disse estar arrependida e afirmou que não teve intenção de causar a morte do filho. “Qual mãe iria querer matar o próprio filho?”, respondeu à reportagem.
- Já o padrasto afirmou que o bebê, por estar muito agitado, pode ter se machucado sozinho no carrinho antes de morrer. Questionado sobre as possíveis consequências das medicações dadas à criança, ele não respondeu.
Depoimento
O casal afirmou, em depoimento, que o bebê tinha diagnóstico de hidrocefalia – acúmulo excessivo de líquido no cérebro que provoca pressão na cabeça. Naquela noite, segundo eles, a criança estava muito agitada e chorando bastante. Por esse motivo, a mãe teria dado dez doses do remédio carbamazepina, indicado para adultos.
As versões dos dois passam a divergir sobre o que aconteceu depois. Thais disse que bateu a cabeça do bebê no carrinho sem querer, enquanto tentava fazê-lo dormir. Já Marcelo afirmou que a mulher estava muito nervosa e chegou a dar tapas no braço da criança. Segundo ele, ela também pediu que colocasse a mão na boca do bebê para fazê-lo parar de chorar. O bebê, que completaria um ano de idade no dia seguinte, já havia passado por cirurgia e tinha outro procedimento marcado.
Uma vizinha ouvida pela polícia relatou que costumava ouvir discussões frequentes no imóvel. De acordo com ela, o local apresentava condições precárias de higiene, com lixo acumulado e até presença de ratos. Naquele dia, disse ter escutado gritos vindos da casa. O caso foi registrado na Central Policial Judiciária (CPJ) como homicídio.